Fazer uma obra e reconhecê-la má depois de feita é uma das tragédias da alma. Sobretudo é grande quando se reconhece que essa obra é a melhor que se podia fazer. Mas ao ir escrever uma obra, saber de antemão que ela tem de ser imperfeita e falhada; ao está-la escrevendo estar vendo que ela é imperfeita e falhada _isto é o máximo da tortura e da humilhação do espírito. Não só os versos que escrevo sinto que me não satisfazem, mas sei que os versos que estou para escrever me não satisfarão, também. Sei-o tanto filosoficamente, como carnalmente, por uma ...
[Continue lendo]“Paris de 1923! As recordações fervilham, amontoam-se, atropelam-se…Meu ateliê da Rua Hégésippe Moreau, que Paulo Prado descobrira ter sido habitado por Cézane, foi frequentado por importantes personagens. Aos almoços tipicamente brasileiros, às vezes compareciam Cocteau, Erik Satie, Valéry Larbaud, Jules Romains, Giradoux, Brancusi, Amboise Vollard. Entre os brasileiros, Villa-Lobos, Paulo Prado, dona Olívia Guedes Penteado, Souza Lima, Oswald de Andrade, Sérgio Milliet, Di Cavalcanti…” Tarsila do Amaral, Recordações de Paris Poema Atelier [de Oswald de Andrade para Tarsila do Amaral, publicado na Revista 'Pau Brasil' (1925)] Caipirinha vestida por PoiretA preguiça paulista ...
[Continue lendo]“Vemos em Tarsila uma pintora que, a partir da experiência cubista, retornou liberada para seu ensimesmado subjetivismo, a refletir uma atmosfera nossa _através da cor poderosa em sua paleta original_ e, na fase “pau-brasil” a imagem chapada, em paisagens e figuras de postura quase hierática em sua frontalidade, ingênua/sabida simultaneamente, elementos desafiando a gravidade, suspensos, sem peso, posto que sem volume. O que deve ser exaltado em sua contribuição é que ela realiza a construção dessas telas dos anos 20 conseguindo comunicar com antecipação algo da cultura brasileira de seu tempo/espaço, através de uma liberação, em sua forma de se ...
[Continue lendo]deixar que me amem é rodear {eu}a compreensão de outrem. há actividade neste lado passivo.{na mulher sã há mais actividade nolado passivo que no lado activo}e depois substituir o amor: porque a actividadedo lado passivo consegue-o,uma vez que o optmismo de tal actose basta na área da provocação.{e de resto}, o intestino mantém a sua função,o aplauso entre duas mãos é injectado de verdadee música. {os átomos} são aproximadose isso chega para proibir a monotonia.{depois disso}, passivamente, o amor é uma hipótesesobre a beleza que é um acumular de belezas,sobre a morte que é um acumular de mortes ou vidas,sobre ...
[Continue lendo]Quando sou no extremo de mim; quanto sou longe de mim. Já não sei se sou eu, ou sou outro país. Então retorno, rumo ao meu Norte, ao norte de mim. Estou no meu Sul há tantos anos. Viagem antiga, longa, viagem silente. Inda lembro. Durmia no colo de minha mãe. Em breves momentos despertos lhe perguntava: _ Inda tá longe, mainha? _ Só mais um pouco, fia, só mais um pouco… Ela não retorna comigo, mas inda ouço sua voz. Sua voz é doce, a viagem é longa. Nem sempre doce, a viagem é louca. Descansava nas paradas, as ...
[Continue lendo]“Possuidora de uma alta consciência do que faz, levada por um notável instinto para a apaixonada eleição dos seus assuntos e da sua maneira, a vibrante artista não temeu levantar com os seus cinquenta trabalhos as mais irritadas opiniões e as mais contrariantes hostilidades. Era natural que elas surgissem no acanhamento da nossa vida artística. A impressão inicial que produz nos seus quadros é de originalidade e de diferente visão. As suas telas chocam o preconceito fotográfico que geralmente se leva no espírito para as nossas exposições de pintura. A sua arte é a negação da cópia, a ojeriza da ...
[Continue lendo]Trecho de carta escrita por Anita Malfatti a Mário de Andrade “Para Mário de Andrade,Caminho do Céu,Estrada da Saudade: (…) Eu moro longe de São Paulo, tomo conta do meu jardim, arranco o mato e planto as flores e as árvores, rego quando posso, arrumo a casa e pinto as festinhas do nosso povo, que dão alegria ao coração de gente simples. O grandioso e o majestoso, assim como a glória e o mágico sucesso me deixam calada, triste, mas as coisas fáceis de pintar, simples de se compreender, onde mora a ternura e o amor do nosso povo, isso ...
[Continue lendo]Inauguramos hoje uma nova coluna no Imaginário Poético: Tupi or not tupi, uma coluna que tem por fim divulgar as artes plásticas no Brasil a partir da Semana de Arte Moderna de 1922 até a contemporaneidade. O título da coluna é uma homenagem a Oswald de Andrade que lançou este grito de guerra em seu Manifesto Antropófago (1928) convocando poetas, escritores e artistas plásticos a abandonarem a tendência de realizarem cópias acríticas de tendências culturais européias e a redescobrirem a identidade brasileira nas artes. Portanto, a partir desta semana, você está convidado a se alimentar de arte brasileira da melhor qualidade aqui no ...
[Continue lendo]O espaço, fora de nós, ganha e traduz as coisas:Se quiseres conquistar a existência de árvore,Reveste-a de espaço interno, esse espaçoQue tem seu ser em ti. Cerca-o de coações.Ela não tem limite, e só se torna realmente uma árvoreQuando se ordena no seio da tua renúncia. RILKE. Poema de junho de 1924, traduzido para o francês por Claude Vigée, publicado na revista Le Lettres, 4o ano, no 14,15,16,p.13. In: BACHELARD, Gaston. A poética do espaço. Tradução de Antônio de Pádua Danese. São Paulo: Martins Fontes, 1998. p.205.
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