Ó velho oceano cheio de tretas, velho oceano,
Quem com olhos de seca pimenteira
Queimará toda tua água, a lisa e a encapelada?
O fogo, o fogo, o fogo.
"O relâmpago é o senhor dono de tudo"
(assim Heráclito, o Obscuro secretava e esparzia o pó elemental das coisas.)
Quem queimará a tua água lisa e a tua água encapelada?
A chama -sereia desmiolada- de que se recordará?
Nem das cinzas, nem de si-mesma, nem de nada.
A chama -sereia desmiolada- de que se recordará?
Nem das cinzas, nem de si-mesma, nem de nada.
SALOMÃO, Waly. Pescados Vivos, p.59. In: BOAVENTURA, Flávio. O amante da algazarra. Nietzsche na poesia de Waly Salomão. Belo Horizonte: Eitora UFMG, 2009. p.35.



1 comentarios:
oceanos
nos céus
perdi
os meus
e os seus
anos
treva de luz
ignorada na faísca
perdida nos cabelos da Sirenas
sereias
de cera
impregnadas de sal
mar
o mal do amar
é navegar nas ondas repletas
de ressacas
canto
do raio
que cai e chuta
os meus
os seus
anos
na conta impagável
do mistério
no mastro quebrado da areia
que cai
no mar.
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