Queridos, agradeço com emoção por terem acompanhado o Imaginário Poético em 2009! Se eu fosse supersticiosa comeria algumas romãs, uvas ou lentilhas; pularia algumas ondas; subiria um banquinho às 12 badaladas; encheria os bolsos de moedas ou colocaria uma nota no sapato, só para garantir que cada um de vocês continuaria conosco em 2010. Mas, como não sou, opto por trabalhar para alimentar seus imaginários poéticos e, quem sabe, causar um espanto vivificador em alguns de vocês. Desejo a vocês um 2010 com um teto, poucas roupas, um sapato confortável em cada pé, um colchão macio, comida suficiente, amigos verdadeiros, amor de ...
[Continue lendo]“O poema nasce do espanto, e o espanto decorre do incompreensível. Vou contar uma história: um dia, estava vendo televisão e o telefone tocou. Mal me ergui para atendê-lo, o fêmur de uma das minhas pernas bateu no osso da bacia. Algo do tipo já acontecera antes? Com certeza. Entretanto, naquela ocasião, o atrito dos ossos me espantou. Uma ocorrência explicável de súbito ganhou contornos inexplicáveis. Quer dizer que sou osso?, refleti, surpreso. Eu sou osso? Osso pergunta? A parte que em mim pergunta é igualmente osso? Na tentativa de elucidar os questionamentos despertados pelo espanto, eclode um poema. Entende ...
[Continue lendo]“Por que será tão atraente — pensava o Macaco noutra ocasião, quando deu com a literatura — e ao mesmo tempo tão sem graça esse tema do escritor que não escreve, ou o do que passa a vida se preparando para produzir uma obra-prima e pouco a pouco vai se convertendo em mero leitor mecânico de livros cada vez mais importantes mas que na verdade não lhe interessam, ou o comum (o mais universal) do que quando aperfeiçoou um estilo descobre que não tem nada a dizer, ou o do que quanto mais inteligente é, menos escreve, enquanto à sua ...
[Continue lendo]- Sino, claro sino, tocas para quem?- Para o Deus menino que de longe vem.- Pois se o encontrares, traze-o ao meu amor.- E o que lhe ofereces, velho pecador?- Minha fé cansada, meu vinho, meu pão,- Meu silêncio limpo, minha solidão. PENA FILHO, Carlos. Livro Geral – Poemas, Recife, Ed. Liceu, 1999. Em nome da equipe editorial do imaginário poético, desejo a todos os leitores e amigos um Natal de paz e comunhão!Abraço a todos,dana paulinelli
[Continue lendo]Os Sumérios, sendo um povo não semita nem indo-europeu, foram culturalmente dominantes entre meados do IV milénio e o início do II milénio a.C., tendo vivido no Sul da Mesopotâmia, na zona do actual Sul do Iraque e Kuwait. Os seus conceitos religiosos e espirituais influenciariam todo o Oriente Antigo e por essa via as tradições posteriores. Uma das maiores invenções dos Sumérios foi a escrita. Usando caracteres cuneiformes, produziram literatura épica e mítica, hinos e lamentações, provérbios e “ditos sapienciais”. Segundo Samuel Noah Kramer, um dos pioneiros na investigação desta literatura, as obras-primas sumérias são comparáveis à literatura grega ...
[Continue lendo]“A amiga (a aranha – por quê a aranha?) porque minha melhor amiga era minha mãe e ela era decidida, inteligente, paciente, tranquilizadora, racional, encantadora, sutil, indispensável, arrumada e útil como uma aranha. Ela também sabia se defender, e a mim, recusando-se a responder perguntas pessoais ‘idiotas’, inquisitivas e embaraçosas. Jamais me cansarei de representá-la. Eu quero: comer, dormir, discutir, magoar, destruir… _ Por quê? _ Meus motivos pertencem exclusivamente a mim. O tratamento do medo. Para o meu gosto, a aranha é um pouco fastidiosa demais. Tem esse lado francês de detalhista, polemista, tricoteira, (Xavier Tricot) de cerzimento cada ...
[Continue lendo]“À diferença de muitos modernistas, Segall não considerava a construção de uma arte nacional brasileira, composta de elementos locais, o objetivo último de um artista brasileiro (assim como nunca lutara por uma ate judaica). Ele acreditava, sim, que os elementos característicos do ‘povo brasileiro’ deveriam interagir com todas as outras manifestações artísticas (alemães, russas, judaicas, etc) com o fim de alcançar a ‘verdadeira arte’ que é sempre humana, universal. Segundo tal perspectiva, sua contribuição para a ‘arte brasileira’ era vista como valiosa. Ao representar-se como negro em seu quadro ‘Encontro’, Segall não estava trocando sua identidade judaico-russo-alemã por uma brasileira, ...
[Continue lendo]O pintor, gravador, escultor e desenhista Lasar Segall nasceu em 1891 na Lituânia. Veio para o Brasil e expôs suas obras em São Paulo pela primeira vez em 1912, exposição extremamente representativa da vanguarda européia e das manifestações modernistas nascentes no Brasil. Mas Segall fixa residência em SP apenas em 1923, para não mais deixar o país. As obras até então de tons sóbrios da I Guerra, assumem agora a luz e as cores dos trópicos. Naturalizou-se brasileiro em 1927 e faleceu em 1957 (São Paulo). “Eis que Lasar Segall vem ao Brasil. Já estivera uma vez em nossa terra, por ...
[Continue lendo]“Segall foi acima de tudo pintor; sua sabedoria gráfica porém era muito grande, como acontecia, aliás, com toda a formação artística conduzida pelas academias alemãs. Daí a excelência de sua litografia, de sua água-forte, de sua xilogragura, e o domínio pleno, ao mesmo tempo, da pintura à óleo e a água. ... Os quatro álbuns produzidos e o Mangue ... são as provas maiores dessa gráfica, mas fora das séries, ou em séries não coordenadas em sequência para divulgação, o artista deixou, porventura, mais do naqueles singulares aspectos da gravura expressionista. A adequação do gráfico entretanto emparelha-se à do artista ...
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