Estatueta de Gudea, ensi (“governador”) de Lagash, no Sul da Mesopotâmia. Viveu no séc. XXII a.C.. Terá sido um governador pacífico que concedeu às mulheres o direito de possuirem terras. Só por isso valeu a pena ser governador. É notável que o tenha feito há quarenta e dois séculos. Talvez pudesse inspirar uns hmadinejads que andam por aí… J-P Galhano
[Continue lendo]A “questão homérica”, assim chamada, não porque haja evidência de que Homero a tenha formulado, mas porque se refere à autoria dos seus textos, desenvolveu-se notavelmente no século XIX d.C., acompanhando um movimento crítico que então versava sobre o texto bíblico. Porém, já na Antiguidade esta questão fora colocada em termos críticos. Cícero, que viveu entre os anos 106 e 43 a.C., sugeriu que os textos homéricos então conhecidos fossem uma revisão que Pisístrato fizera à obra de Homero. Por seu turno, Josefo, um historiador judeu do séc. I d.C., aventou a hipótese de Homero não saber escrever, o que ...
[Continue lendo]Só pisando subimos, Só derrotando vencemos, Só conformando o outro a nós o amor nos alcança, E tudo isso com sermos, seguramente sermos o outro Até que nada nos reste de escapatória ou abrigo. BUENO, Alexei. Poesia Reunida. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2003. p.310
[Continue lendo]Odiamos todosOs que nós não somosPor todos os modos. A eles nos transpomosVendo-os pôr-se em nósQuais neles nos pomos. Um do outro apósSó enganos avista.Enredados, sós. Somos o que distaE ainda assim assalta.Na promíscua pista.Vai só a nossa falta. BUENO, Alexei. Poesia Reunida. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2003. p.244.
[Continue lendo]Ofelinha, Agradeço a sua carta. Ela trouxe-me pena e alívio ao mesmo tempo. Pena, porque estas coisas fazem sempre pena; alívio, porque, na verdade, a única solução é essa -o não prolongarmos mais uma situação que não tem já a justificação do amor, nem de uma parte, nem de outra. Da minha, ao menos, fica uma estima profunda, uma amizade inalterável. Não me nega a Ofelinha outro tanto, não é verdade? Nem a Ofelinha, nem eu, temos culpa nisso. Só o Destino terá culpa, se o Destino fosse gente, a quem culpas se atribuíssem. O Tempo, que envelhece as faces e ...
[Continue lendo]O Imaginário Poético foi agraciado com um texto delicioso do Chico Guedes para a sua coluna intitulada Conversa de Ancião na Revista Catorze, uma revista eletrônica que aborda música, literatura, cinema, teatro, arte popular e erudita, em todos os aspectos e vertentes. Voltada exclusivamente para cultura, com destaque para o cenário artístico de Natal/RN, onde é editada, a revista tem também a proposta de revelar novos talentos da literatura potiguar. A reportagem foi publicada em sua primeira versão impressa, que teve seu lançamento no dia 19 de dezembro de 2009, e agora em sua versão on line. O post, que ...
[Continue lendo]1. Nascido na Bahia, Elomar Figueira Mello se diz do Estado do Sertão, cuja capital é São Paulo. 2. Elomar é uma figura estranha a estes tempos e espaços. 3. Elomar considera estes tempos em que vivemos a verdadeira Idade das Trevas. 4. Elomar é muito religioso, um verdadeiro cristão. 5. Cultuado por universitários e intelectuais, cada dia mais se afasta deles. 6. Elomar jamais se importou muito em divulgar sua música; evita ser fotografado ou filmado e vive como no seu mundo não houvesse gravadora, rádio, TV, direito autoral, etc. 7. Elomar cria bodes, é arquiteto e já fez ...
[Continue lendo]Morre-se de quê? da doença que existe, do descuido, que acontece, ou simplesmente dessa coisa imponderável que se chama vontade de morrer? Acredito que se morra sobretudo do tempo previsto. CARDOSO, Lúcio, Crônica da Casa Assassinada. Edição comemorativa de 50 anos da primeira publicação. 12a ed. Rio de Janeiro: Civilização brasileira, 2009. p.411.
[Continue lendo]No meio do rio, eu via a pedra. A única naquela extensão azul de água, o pico negro erguido em inesperada fragilidade na solidão. Eu não tinha instrumentos para caminhar até ela, a pedra, tomá-la nos braços, por um instante debruçar minha ternura sobre seu isolamento num absurdo desejo que em sua insensibilidade de coisa ela se fizesse sensível e, assim suavizada, contivesse o desespero amparando-se em mim. Por que ela se perdia assim e assim se assumia e se cumpria em pedra, dona de si mesma, dispensando qualquer afeto, qualquer comunicação? Ela se bastava. Parecia já ter ido além ...
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