São corriqueiros os episódios como aquele em que Pixinguinha foi abordado por dois assaltantes e em seguida levou os dois “meninos” para sua casa, deu café, conversou e ainda pagou o ônibus dos ladrões.
Figura calma, doce e correta, seus amigos e conhecidos que o acompanharam pela vida, ninguém, jamais, viu Pixinguinha demonstrar a mínima animosidade ou irritação ou ter a menor alteração de humor. É uma unanimidade.
“Carinhoso”, seu maior sucesso, obra-prima composta quando o compositor tinha apenas 18 anos (em 1916), gravada instrumentalmente em 1928, foi criticada por ser uma peça muito “americana”. Na verdade, Carinhoso é uma música à frente de seu tempo e só ganhou letra (de Braguinha) mais de duas décadas depois de composta, em 1937. Se prestarem atenção, verão que Carinhoso é um samba-canção e não um choro. Um samba-canção daqueles de se dançar de rosto colado. Acho que a letra deveria ter mais um clima de fumaça e copo vazio típico da década de 50.
Pixinguinha trocou a flauta pelo saxofone e fez dupla com Benedito Lacerda, parceiro fake seu em vários choros. Com o Lacerda, flautista de verdade, nos presenteou com contrapontos magníficos. Contraponto é quando dois instrumentos fazem retratos sonoros diferentes, porém de modo harmônico. Pixinguinha era um mestre nessa arte do contraponto, comparado por muitos, nesta arte, a J. S. Bach.
Pixinguinha é o Bach brasileiro, pois abarcou toda a linguagem de nossa música, dando a ela uma identidade própria e ao mesmo tempo uma abertura para o mundo. Pixinguinha era 100% brasileiro e 100% internacional.
Na data de seu nascimento é comemorado o dia do choro. Deveria ser comemorado o dia da música brasileira.
Pixinguinha fez orquestração para alguns dos musicais que inundavam o teatro da primeira metade do século XX e, nessa época, compôs todo tipo de música: tango argentino (com bandoneon e tudo), música árabe, música japonesa... Era um compositor em pleno domínio de sua arte. Em sua primeira fase de compositor há obras de difícil execução, fruto de seu virtuosismo à flauta. Em razão disto, inclusive, há diversas peças com pouquíssimas gravações. A música de Pixinguinha ainda espera por uma geração de músicos do futuro para interpretar devidamente sua obra.
Como arranjador, Pixinguinha criou um jeito brasileiro de orquestrar. Se o arranjo é a roupa da canção, Pixinguinha foi o maior estilista, vestindo de brasilidade o nosso cancioneiro. A partir de 1929, Pixinguinha foi o grande arranjador de nossa música. As marchinhas de carnaval perderiam toda a graça sem os arranjos do Pixinga.
Vinícius dizia que se não fosse Vinícius de Moraes queria ser Pixinguinha. Eu também.
“Ingênuo” era seu choro favorito.
"Os Oito Batutas" é o nome de um de seus choros mais populares e o nome de sua memorável Big Band. Em 1922 os Oito Batutas tocaram em Paris, em uma excursão que durou cinco meses, coisa então inédita a conjuntos brasileiros. O general dessa banda, Pixinguinha, tinha 24 anos.
Sua orquestra mexeu nos costumes do Rio de Janeiro daqueles anos, pois era chique convidar os Batutas para apresentações em festas.
Pixinguinha era um gênio precoce de uma família de músicos e aos 14 anos já vivia de sua arte, tocando sua flauta em uma orquestra.
Ouviram-se seus primeiros choros quando ele, Alfredo da Rocha Viana Júnior, nasceu em 23 de abril de 1918.
César Miranda
César Miranda
CARINHOSO – com Marisa Monte e Paulinho da Viola.
CARINHOSO - com Orlando Silva.
VOU VIVENDO - Joel Nascimento (bandolim), Paulo Sérgio Santos (clarineta), Odette Ernest Dias (flauta), Henrique Cazes (cavaquinho), Maurício Carrilho (violão), Luiz Otavio Braga (violão de 7 cordas), Beto Cazes (pandeiro).
LAMENTOS – Jacob do Bandolim e Época de Ouro. Dino 7 Cordas (violão 7 cordas), Cesar Faria e Carlinhos (violão), Jonas (cavaquinho), Gilberto D'Avila (pandeiro), Jorginho (percussão).
OS 8 BATUTAS - Henrique Cazes (cavaquinho), Paulo Sérgio Santos (clarineta), Rafael Rabello (violão), Cristovão Bastos (piano), Zeca Assumpção, (baixo), Oscar Bolão (percussão).
INGÊNUO - Chiquinho do Acordeom, Henrique Cazes (cavaquinho), Paulão (violão), Beto Cazes (percussão).
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Este post faz parte da coluna mensal Imaginário Musical Brasileiro.




4 comentarios:
Me lembrou quando comecei a estudar canto, Heavy Metal total, intransigente, via o mundo em preto e branco. Tinha um professor que resolveu que eu seria cantora lírica, não deu certo, depois de samba. Pensei "samba?". E aí veio MPB e grandes nomes... Pixinguinha entre eles... abriu um leque de oportunidades, de sonoridades absurdas. Conhecer o que realmente é nosso... não tem preço.
Kátia,
este teu comentário dá uma bela propaganda da MasterCard :) Final matador!
Beijo,
dana
César, um belo post!
abs
Adorei a postagem, texto objetivo e recheado de informações super interessantes. Parabéns! Beijoca!
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