Quando o português chegouDebaixo de uma bruta chuvaVestiu o índioQue pena!Fosse uma manhã de solO índio tinha despidoO português. ANDRADE, Oswald de. Pau-Brasil. São Paulo: Globo, 2003. (Disponível parcialmente aqui.)
[Continue lendo]A casa era alta, e perto, eles não podiam olhá-la sem ter que levantar infantilmente a cabeça, o que os tornou de súbito muito pequenos e transformou a casa em mansão. Era como se jamais alguma coisa tivesse estado tão perto deles. A casa devia ter tido uma cor. E qualquer que fosse a cor primitva das janelas, estas eram agora apenas velhas e sólidas. Apequenados, eles abriram os olhos espantados: a casa era angustiada. A casa era angústia e calma. Como palavra nenhuma o fora. Era uma construção que pesava no peito dos dois meninos. Um sobrado como quem ...
[Continue lendo]Precisamente alino intervalo entre a vontade e o desejoali na parede, o interruptorda lâmpada que lança sobre tudoa cal abrupta da realidade, capaz de avassalar a escuridãoarredondando os ângulos agudoscomo uma chave líquida que abrissetodas as portas. Porém vocênão precisa de portas. BRITTO, Paulo Henriques. Trovar claro: poemas. São Paulo, Companhia das Letras, 1997, p. 47.
[Continue lendo]Não falarei de coisas, mas de inventose de pacientes buscas no esquisito.Em breve, chegarei à cor do grito,à música das cores e do vento. Multiplicar-me-ei em mil cinzentos(desta maneira, lúcido, me evito)e a estes pés cansados de granitosaberei transformar em cataventos. Daí, o meu desprezo a jogos clarose nunca comparados ou medidoscomo estes meus, ilógicos, mas raros. Daí também, a enorme divergênciaentre os dias e os jogos, divertidose feitos de beleza e improcedência. PENA FILHO, Carlos. Livro Geral. Rio de Janeiro: Livraria São José, 1959.
[Continue lendo]E agoraque fazercom esta manhã desabrochada a pássaros? BARROS, Manoel de. Poemas rupestres. Rio de Janeiro: Record, 2007. p.27.
[Continue lendo]CALMA, CALMA, também tudo não é assim escuridão e morte. Calma. Não é assim? Uma vez um menininho foi colher crisântemos perto da fonte, numa manhã de sol. Crisântemos? É, esses polpudos amarelos. Perto da fonte havia um rio escuro, dentro do rio havia um bicho medonho. Aí o menininho viu um crisântemo partido, falou ai, o pobrezinho está se quebrando todo, ai caiu dentro da fonte, ai vai andando pro rio, ai ai ai caiu no rio, eu vou rezar, ele vem até a margem, aí eu pego ele. Acontece que o bicho medonho estava espiando e pensou ...
[Continue lendo]A coluna Poetas na Rede tem o prazer de apresentar Nina Rizzi.< Nina tem 27 anos, vive atualmente em Fortaleza/CE, é escritora, historiadora e militante do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). Tem textos e poemas publicados em antologias, nas revistas VacaTussa e La Papa Ruchada (Argentina), e em várias páginas da internet, entre elas, a revista Germina, Garganta da Serpente e Balaio Porreta. Faz parte de Dedo de moça —uma antologia das escritoras suicidas, edita o blog Ellenismos e escreve no Putas Resolutas e no Escritoras Suicidas. Nina é uma explosão de vida e escrita, ou vida na escrita, ...
[Continue lendo]Outro dia sonhei que o coche fúnebrevinha buscar-me e não achava-me preparada:não estava nem morta nem doente,e sentia que tinha de partir.Então, disse para o cocheiro:“Espere um pouquinho,que estou acabando de ler este livro.”E o cocheiro concordou e esperou.Deve estar esperando. MEIRELES, Cecília. Sonhos. In: MEIRELES, Cecília. Poesia completa. Vol. II. Organização de Antonio Carlos Secchin. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001. p.1293.
[Continue lendo]Exma. Sra. Tarsila do Amaral Paris S. Paulo, 11- I -923. Querida amiga Se é mesmo verdade que os gregos e os romanos tratavam seus deuses com familiaridade amiga, creio que foi o cristianismo que trouxe para os homens ocidentais o temor pelas entidades divinas. Aproximo-me temeroso de ti. Creio que és uma deusa: NÊMESIS, senhora do equilíbrio e da medida, inimiga dos excessos. Quando um homem da Terra era demasiado feliz, via crescerem-lhe terras e riquezas, e tinha em torno de si braços, lábios de amor, coroas de glória e alegrias somente, Nêmesis aparecia. Vinha lenta, com seu passo ...
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