1925 22.1 O nome de um passarinho que vive no cisco é joão-ninguém. Ele parece com Bernardo. 23.2 Lagartixas têm odor verde. 2.3 Formiga é um ser tão pequeno que não agüenta nem neblina. Bernardo me ensinou: Para infantilizar formigas é só pingar um pouquinho de água no coração delas. Achei fácil. 23.2 Quem ama exerce Deus _a mãe disse. Uma açucena me ama. Uma açucena exerce Deus? 2.3 Eu queria crescer pra passarinho… 5.3 A voz de meu avô arfa. Estava com um livro debaixo dos olhos. Vô! o livro está de cabeça para baixo.Estou deslendo. 5.6 O frio ...
[Continue lendo]Era uma vez uma mãe pato e um pai pato que tiveram sete bebês patinhos. Seis deles eram patinhos de boa aparência. O sétimo era realmente um patinho feio. Todos costumavam dizer: “Que belo grupo de patinhos – todos, exceto aquele. Cara, ele é realmente feio!” O patinho realmente feio ouviu estas pessoas, mas ele não se importou. Ele sabia que um dia ele provavelmente cresceria para ser um cisne e ser maior e ter melhor aparência que qualquer um na lagoa. (…) Bem, como se descobriu mais tarde, ele era apenas um patinho realmente feio. E ele cresceu ...
[Continue lendo]“Talvez este seja o livro mais completo sobre Glauber Rocha, até onde um livro pode ser completo sobre o cineasta da estética da fome. Para os que conheceram Glauber, que privaram de seu convívio, o livro da pesquisadora Tereza Ventura carrega uma carga evocativa capaz de gerar fortes lembranças. Primeiro, porque a força avassaladora, vital, do pensamento glauberiano está muito bem apresentada, fazendo com que seja possível rememorar os bons embates intelectuais nos quais se transformavam qualquer bate-papo com o cineasta. Escrever sobre o homem Glauber, e sobre o seu espírito de agitador cultural, dono de um dos raciocínios mais privilegiados que já se viu, não é coisa ...
[Continue lendo]Nós, seres humanos, desenvolvemos formas complexas de comunicação e expressão. Somos capazes de dizer as mesmas coisas de várias formas, usando suportes diferentes. Sempre foi assim, suponho. Quando ainda éramos primos dos de Neanderthal pintávamos nosso cotidiano nos tetos e nas paredes das cavernas e cientistas israelenses desconfiam até que não apenas grunhíamos, mas já falávamos. Aí começam minhas dúvidas: será que as primas dos homens de Neanderthal podiam desenhar nas paredes e tetos das cavernas? Será que desenhavam escondido no cantinho lá do fundo? Será que os homens percebiam os desenhos delas? Será que eram muito diferentes dos deles? As cenas talvez fossem, mas o traço, e as cores? Bem, ...
[Continue lendo]A arte de perder não é nenhum mistério;tantas coisas contêm em si o acidentede perdê-las, que perder não é nada sério. Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,a chave perdida, a hora gasta bestamente.A arte de perder não é nenhum mistério. Depois perca mais rápido, com mais critério:lugares, nomes, a escala subseqüenteda viagem não feita. Nada disso é sério. Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem querolembrar a perda de três casas excelentes.A arte de perder não é nenhum mistério. Perdi duas cidades lindas. E um impérioque era meu, dois rios, e mais um continente.tenho saudade deles. Mas ...
[Continue lendo]Em Lesbos caçando, no bosque das Ninfas, um espetáculo vi, o mais belo de quantos vi: uma pintura de um quadro, uma história de amor. Belo também era o bosque, arborizado, florido, irrigado: uma fonte tudo alimentava, tanto as flores quanto as árvores. Mas a pintura era mais encantadora, mostrando uma arte ímpar, um entrecho de amor. Assim muitos, mesmo dentre os estrangeiros, pela fama ali vinham, como suplicantes das Ninfas, como espectadores do quadro. Mulheres havia, nele, que davam à luz e outra que enrolavam em cueiros, criancinhas abandonadas, gado que nutria, pastores que recolhiam, jovens que faziam juras, ...
[Continue lendo]_ Há montanhas -prossegui- muito altas, imensas, cobertas de mosteiros. E nesses mosteiros vivem monges de hábitos amarelos. Ficam sentados, pernas cruzadas, um mês, dois meses, seis meses, e apenas pensam em uma única coisa. Uma só, entende? Não duas, uma! Não pensam, como nós, na mulher e na linhita, ou nos livros e na linhita: concentram seu espírito sobre uma única e mesma coisa, e realizam milagres. É assim que acontecem os milagres. Você viu, Zorba, que, ao expor uma lupa ao sol, você reúne todos os raios num mesmo ponto? Esse ponto logo pega fogo. Por quê? Porque ...
[Continue lendo]Caminho que não leva a lugar algumSem saída é o ápiceMostrando-nos que a saída estáOnde não existe saída- logo, não há saída fora o paradoxoDa saída sem saída DEGUY, Michel. A rosa das línguas. Tradução de Paula Glenadel e Marcos Siscar. São Paulo: Cosac & Naify; Rio de Janeiro: Viveiros de Castro Editora, 2004, p.161.
[Continue lendo]“Sertão é isto, o senhor sabe: tudo incerto, tudo certo.”(Guimarães Rosa) Citação: ROSA, João Guimarães. Grande Sertão: Veredas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006, p.156. Imagens: (1) João Castilho, Redemunho, 12 de 24, 2006, fotografia C Print, 100,0 ×150,0 cm.(2) João Castilho, Redemunho, 09 de 24, 2006, fotografia C Print, 100,0 ×150,0 cm. (3) João Castilho, Redemunho, 13 de 24, 2006, fotografia C Print, 100,0 ×150,0 cm. Nossos agradecimentos ao artista mineiro João Castilho que gentilmente nos cedeu o direito de publicarmos aqui algumas de suas obras. Conheça mais de seu belíssimo trabalho em www.joaocastilho.net
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