O calendário do afeto de Alberto da Veiga Guignard por Amalita Fontenelle ficou registrado nos cartões por ele galantemente endereçados a ela entre 1932 e 1937. Estas singelas obras de arte carregam a memória de uma devoção comovente. A correspondência parece não ter sido entregue e ficou conservada junto com outros cartões avulsos no álbum que Guignard elaborou e que ficou guardado com Oswald de Andrade e sua família até 1987. Algumas vezes o artista endereçou as peças para as irmãs de Amalita, Lola e Anita. Guignard tinha por hábito distribuir cartas e bilhetes para suas alunas e oferecia cartões ...
[Continue lendo]A poética de Alberto da Veiga Guignard (1896-1962), o maior pintor modernista brasileiro, professor de desenho, ilustrador e gravador está monumentalmente expressa em sua vasta produção, mas em especial nas suas paisagens intemporais. Frequentador das montanhas cariocas e mineiras pode apreciar de seus altos – os ângulos de visão dilatados – o despojamento daqueles planos estendidos livre do açodamento urbano. E pela ordenação artística e para além das obrigações formais, transfigurou o que avistara compondo territórios plenos ainda que um tanto evanescentes. Diante das superfícies rasas de Guignard, perpassadas pela luz misturada à névoa e elementos instáveis em cores translúcidas ...
[Continue lendo]Então chegaste. Tão bom. Estava te esperando. Para te mostrar. Lindeza, viu. Lindeza que está o nosso imaginário. Não, não. Não entra ainda. Calma. Dá-me a mão. É cedo. Passeia um pouquinho comigo. Vês a capa? Pois vai lá, vai. Vai fazer um carinho nas nossas imagens. O rato é tua mão, foi feito no oitavo dia da criação. Isso. Assim. Devagarinho e elas se revelam. Docemente. Sim, o doce mente, mas fazer o quê? Se é amargo o mistério e se ele se desvenda com um clique? Olha para o alto e esquece. Não, não. Não fora da tela. Ali só há o ...
[Continue lendo]Engasgo neste abismo, cresci procurando, olhava o olho dos bichos frente ao sol, degraus da velha escada, olhava encostada, meu olho naquele olho, e via perguntas boiando naquelas aguaduras, outras desde há muito mortas sedimentando aquele olho, e entrava no corpo do cavalo, do porco, do cachorro, segurava então minha própria cara e choravaque foi Hillé?o olho dos bichos, mãeque é que tem o olho dos bichos?o olho dos bichos é uma pergunta morta. HILST, Hilda. A obscena senhora D. São Paulo: Globo, 2001, p.30.
[Continue lendo]A cada quarteirão ele vibrava mais. “Sem metas”, como apregoava seu professor de estética, na época em que esse terreno suscitava sérias digressões. A cada quarteirão conhecia novo ânimo. Fôlego para mil quarteirões, se aquela praia os possuísse. Vivia uma estrada solitária. “Para descansar”, repetia. Encontraria um jeito de não mais sair dali. “Fazendo o quê?”, uma voz inclusa perguntava. Ele parou. Olhou as mãos, o corpo. “Sei sim, que dessa pele tão cedo não sairei!” Parecia um hino súbito. Divertiu-se, encenou uma risada. Voltou a correr. E não foi mais visto. NOLL, João Gilberto. Mínimos, múltiplos, comuns. São Paulo: ...
[Continue lendo]“Ora, toda arte, seja como for, vá até onde for, é antifotográfica e concreta.” Fernando Pessoa PESSOA, Fernando. Aforismos e afins. Edição e prefácio de Richard Zenith. Tradução de Manuela Rocha. São Paulo: Cia das Letras, 2006. p.21.
[Continue lendo]Meus caros, o imaginário entrará em recesso a partir de amanhã e voltará após as Cinzas serem recolhidas, ou seja, quinta ou sexta-feira da próxima semana. Até lá, quem estiver on line e em busca de bom conteúdo e belas imagens pode vasculhar os nossos arquivos e também ler a Obvious, revista parceira do imaginário. Desejo boa folia ou bom descanso, ao gosto do freguês, e deixo um abraço a todos! dana paulinelli
[Continue lendo]“Cheio de méritos, mas poeticamente o homem habita esta terra.”Friedrich Hölderlin “A poesia não é ... nenhum construir no sentido de instauração e edificação de coisas construídas. Todavia, enquanto mediação propriamente dita da dimensão do habitar, a poesia é um construir em sentido inaugural. É a poesia que permite ao homem habitar sua essência. A poesia deixa habitar em sentido originário.”Martin Heidegger HEIDEGGER, Martin. “…poeticamente o homem habita…”. Trad. Márcia Sá Cavalcante Schuback. In: Ensaios e Conferências. Petropólis: Vozes, 2002. p.178.
[Continue lendo]Parábola escrita em 1947, no diário da artista, e por ela estampada, em 1992, numa echarpe de seda e publicada em edição limitada por The Fabric Workshop, Filadélfia. O texto foi posteriormente impresso num banner de algodão de 178 pés de comprimento, usado pela artista numa performance em 5 de dezembro de 1992 em The Fabric Workshop (…) Durante essa performance, o banner, todo enrolado em volta de uma pessoa (Robert Storr), foi lentamente desenrolado e de novo enrolado em volta de duas pessoas abraçadas. Quando o banner foi desenrolado, seu texto pôde ser lido pelo público. A performance teve ...
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