Adélia Prado > Necessidade do corpo

 

Juul Kraijer, no title, 2006, chalk on green paper, 264,7 x 151,5 cm, private collection, USA.

 

 

 

 

Nenhum pecado desertou de mim. 
Ainda assim eu devo estar nimbada,
porque um amor me expande.
Como quando na infância
eu contava até cinco para enxotar fantasmas,
beijo por cinco vezes minha mão.
Este é meu corpo, corpo que me foi dado
para Deus saciar sua natureza onívora.
Tomai e comei sem medo,
na fímbria do amor mais tosco
meu pobre corpo
é feito corpo de Deus.

PRADO, Adélia. A duração do dia. Rio de Janeiro, São Paulo: Record, 2010. p.28.



3 Comentários

  1. Fouad Talal escreveu:

    gostei demais dos últimos posts sobre nossa Adélia. Vale a pena assistir esse vídeo dela no youtube, numa entrevista ao afonso borges. impagável ver a poeta revelando seu processo poético e declamando algumas poesias.

    beijos!

  2. dana escreveu:

    Muito obrigada, Fouad! Adélia é mesmo maravilhosa, assistirei ao vídeo!
    Abraço,
    dana

  3. Luiz Augusto A. Mesquita escreveu:

    Adélia Prado…
    generosidade formatada em palavras…

Deixe uma resposta


Spam protection by WP Captcha-Free