Arthur Bispo do Rosário

“Minha missão é essa, é conseguir isto, o que eu tenho para no dia próximo eu representar a existência da Terra que taí, tudo que eu fiz. (…) Próximo eu vou receber essa ordem, eu vou ter uma ação brilhosa dos pés à cabeça. Vou ficar com uma ação, vou perder o pudor e uma ação calorenta sobre mim, uma ação resplendora eu espero próxima a essa representação. (…) Aqui, por exemplo, o bicho comeu, ali quebrou o que tá gasto pelo cupim, vou preparando e encaixotando as coisas. Porque a ordem é encaixotar. (…) Eu recebo ordem, é. Quando disser vamos se preparar para representar o mundo. Por enquanto eu tenho o material, mas corporalmente não estou pronto ainda. Eu tenho que deixar a serenidade.”

Arthur Bispo do Rosário, em entrevista a Conceição Robaina, em 1988.

Arthur Bispo do Rosario, Roda da Fortuna madeira, metal, plástico, tecido, 69 x 55 x 24 cm.

Arthur Bispo do Rosario, 434 como é que eu devo fazer um muro, cimento, madeira, vidro, 12 x 50 x 6 cm.

Arthur Bispo do Rosario, Vassouras, madeira, goma, pêlos, 130 x 80 x 13 cm.

Arthur Bispo do Rosario, Vaso Sanitario, madeira e plástico, sem medidas.

Arthur Bispo do Rosario, Planeta paraizo dos homens, plástico, madeira, tecido, sem medidas.

Arthur Bispo do Rosario, 20 garrafas - 20 conteúdos, madeira, cartão, plástico, tecido, 110 x 48 x 15 cm.

Arthur Bispo do Rosario, Bril soleil, madeira, lata, 100 x 48 x 7 cm.

Arthur Bispo do Rosario, Bril soleil, madeira, lata, 100 x 48 x 7 cm.

Arthur Bispo do Rosario, Estandarte, sem dados técnicos.

Arthur Bispo do Rosario, Estandarte, sem dados técnicos.

Arthur Bispo do Rosario, Estandarte, sem dados técnicos.

Arthur Bispo do Rosario, Estandarte, sem dados técnicos.

Arthur Bispo do Rosario, Manto da Apresentação, tecido. 118. 5 x 141 x 20 cm.

 

Arthur Bispo do Rosario com o Manto da Apresentação.

“Arthur Bispo do Rosário inventa um caminho. Nascido em Sergipe em 1911, veio para o Rio de Janeiro com a Marinha, na qual ingressara em Salvador como aprendiz. A herança o fez negro. As circunstâncias o fizeram pobre. Em sua vida, segundo o acaso, foi marinheiro, pugilista, lavador de bondes e borracheiro da Light, auxiliar de serviços gerais, artesão. Passou pela loucura e o contexto o aprisionou, ‘esquizofrênico paranóide’. Ouvindo vozes do inconsciente, inicia a construção de um universo em que suas viagens, suas lutas, seu cotidiano são retomados com tal intensidade que transbordam e dissipam a esfera pessoal. Da vida faz uma imprevista experiência, produzindo com ela, a partir de seus fragmentos, uma obra. Produto de sua produção, torna-se artista. Efeito desse acontecimento singular, uma voz menor se faz ouvir:

Tá mais do que visto, mas pra quem enxerga. Pra quem enxerga, porque eu aqui, como diz, o sujeito quando não é meu, quando ele vem aí, olha assim e vai embora… Eu disse: vem cá! e vai embora. Agora com o meu, ele vem e tem prazer de estar comigo.’ (Arthur Bispo do Rosário, itálicos nossos)”

FONTES:

Textos: BURROWES, Patrícia. O universo segundo Arthur Bispo do Rosário. Rio de Janeiro: Editora FGV, 1996.

Imagens: www.proa.org



2 Comentários

  1. Marcelo Portuária escreveu:

    De certo, o mestre Artur Bispo do Rosário, reunio em sua trajetórica a tragédia do abandono institucional e o despojo da liberdade, como coisas ambivalentes que completaram-se.
    Completaram-se para serem resplandescentes e valiosas como sua obra. Um mestre na periferia de si mesmo, um autor que utilizou o subproduto da arte para transforma-la em esplendor divino.

    Parabéns pela nota.

    Marcelo Portuária

    Visite em alfarrabiosdeoutrora.blogspot.com, uma cronica sobre Artur Bispo do Rosário publicada no dia 12 de abril de 2011.

    Visite também: cidadaniadoscapitais.blogspot.com

  2. magui escreveu:

    Usando o Lixo e a sucata , Bispo se tornou vanguardista da arte referência Contemporânea.

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