Boris Pasternak > Contra a fama

Giulio Paolini, L'altra figura (The other figure), 1984, 183.0 x 250.0 x 190.0cm installed: a-b - two plaster busts, c - pieces of broken bust
Ser famoso não é bonito
Não nos torna mais criativos.
São dispensáveis os arquivos.
Um manuscrito é só um escrito.
O fim da arte é doar somente.
Não são os louros nem as loas.
Constrange a nós, pobres pessoas,
Estar na boca de toda a gente.
Cumpre viver sem impostura.
Viver até os últimos passos.
Aprender a amar os espaços
E a ouvir o som da voz futura.
Convém deixar brancos à beira
Não do papel, mas do destino,
E nesses vãos deixar inscritos
Capítulos da vida inteira.
Apagar-se no anonimato,
Ocultando nossa passagem
Pela vida, como à paisagem
Oculta a nuvem com recato.
PASTERNAK, Boris. Contra a Fama. In: CAMPOS, Augusto de (org.) Poesia da recusa. São Paulo: Perspectiva, 2006. p.103. (Nota: O original russo não tem título. Contra a Fama é um título dado por Augusto de Campos na edição citada.)
Ao lado o matemático russo Grigory Perelman, 44 anos, agora considerado um dos maiores gênios vivos do mundo. Recentemente Perelman declarou que não tem interesse em receber o prêmio de US$ 1 milhão a que tem direito por ter resolvido a chamada Conjectura de Poincaré, considerado até então um dos sete desafios matemáticos do milênio. O matemático solucionou o desafio e publicou a prova na internet, ofertando sua genialidade ao mundo sem demandar absolutamente nada em retribuição. Ao se negar a receber o prêmio foi tachado de louco. Bem, cada um lê o mundo com os olhos que tem. Eu, de minha parte, leio poesia neste ato e faço, portanto, minha homenagem a ele com esta publicação do poema Contra a Fama de Boris Pasternak.
Abraço a todos,
dana paulinelli



>Sim, um sábio.Um homem raro e sua generosidade infinita. Emociona!Bela homenagem,Danaabs
>Puxa, eu tinha lido sobre a Conjectura de Poincaré quando era adolescente e jamais imaginaria que alguém pudesse resolvê-la. E agora acabo sabendo que alguém a solucionou e ainda por cima negou-se a receber o prêmio.Não é louco, é gênio. Desses grandes que vez ou outra aparecem por aqui e só nos cabe o silêncio quando nos deparamos com eles.abraços, Dani!
>Abraços, querido! Saudades.
>Emociona mesmo, Sueli!Da emoção da verdadeira humanidade.Beijo.