Bruno Tolentino > 1o Movimento, As Epifanias, I.2
Nem tudo se desfaz, anda em tudo um resquício,
um eco ou outro a mais de restos e destroços,
que alcançam ou não alcançam voltar a serem nossos,
segundo um coração baixe a seu precipício.
Que a aventura é escarpada e a escalada difícil,
alguém já disse isso; diz-se também que os ossos
do ofício, nus, inglórios, são como um desperdício,
um fogo-fátuo na memória – quantos fósseis
somam um só rosto, a mão que o livra num só gesto
de um feixe de cabelos a tumultuar-lhe a testa…?
Resta que um corpo acorda louco de alegria,
só porque, oco como uma ânfora vazia,
ainda há pouco invadiu-o, lhe entrou por cada fresta,
a luz daquele gesto que ele há tempos não via…
TOLENTINO, Bruno. A Imitação do Amanhecer. SP: Globo, 2006, p.31.




>a quasi tre anni dalla scomparsa del poeta Tollentino, questi versi esprimono il modo migliore per non dimenticarlo.Graziequase três anos desde a morte do poeta Tollentino, estes versos expressam a melhor maneira de lembrar.Obrigado
>Muito bom compartilhar os versos de Tolentino, Giordan!Abraço,dp