“Viver? Ora, nossos criados farão isso por nós” A frase do personagem de Williers deL’Isle-Adam marca uma atitude comum em certa parte da intelectualidade da segunda metade do século XIX. Consolidada a burguesia no poder e, mais que isto, o gosto burguês na sociedade, a reação de alguns escritores e artistas como Huysmans, L’Isle-Adam e outros é voltar as costas à mediocridade dominante no cotidiano. A vida é isto? Então, ao contrário, às avessas. Às avessas, inclusive, com o naturalismo e sua glorificação do homem médio. O que conta é o ser excepcional, o prazer insólito e insuspeitado, inalcançável pelo ...
[Continue lendo]Eu sou essa pessoa a quem o vento chama,a que não se recusa a esse final convite,em máquinas de adeus, sem tentação de volta. Todo horizonte é um vasto sopro de incerteza.Eu sou essa pessoa a quem o vento leva:já de horizontes libertada, mas sozinha. Se a Beleza sonhada é maior que a vivente,dizei-me: não quereis ou não sabeis ser sonho?Eu sou essa pessoa a quem o vento rasga. Pelos mundos do vento, em meus cílios guardadasvão as medidas que separam os abraços.Eu sou essa pessoa a quem o vento ensina: “Agora és livre, se ainda recordas.” MEIRELES, Cecília. Solombra. ...
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