Acostumei minhas mãosa brincarem na água clara:por que ficarei contente?A onda passa docemente:seus desenhos – todos vãos.Nada pára. Acostumei minhas mãosa brincarem na água turva:e por que ficarei triste?Curva, e sombra, sombra e curva,cor e movimento – vãos.Nada existe. Gastei meus olhos mirando vidascom saudade.Minhas mãos por águas perdidasforam pura inutilidade. MEIRELES, Cecília. Poesia & vaga Música. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2006. p.136.
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