Ser famoso não é bonitoNão nos torna mais criativos.São dispensáveis os arquivos.Um manuscrito é só um escrito. O fim da arte é doar somente.Não são os louros nem as loas.Constrange a nós, pobres pessoas,Estar na boca de toda a gente. Cumpre viver sem impostura.Viver até os últimos passos.Aprender a amar os espaçosE a ouvir o som da voz futura. Convém deixar brancos à beiraNão do papel, mas do destino,E nesses vãos deixar inscritosCapítulos da vida inteira. Apagar-se no anonimato,Ocultando nossa passagemPela vida, como à paisagemOculta a nuvem com recato. PASTERNAK, Boris. Contra a Fama. In: CAMPOS, Augusto de (org.) Poesia da recusa. ...
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