“Medito na paixão que não está doendo.” Ana Cristina Cesar, maio de 1980, em carta endereçada a Ana Cândida Peres. In: CESAR, Ana Cristina. Correspondência incompleta. São Paulo: Editora IMS, 1998.
[Continue lendo]I. Você conhece o céu de Nova York? Deveria, dizem que é conhecido. É extraordinário. É uma coisa séria. Lembra do céu de Paris? Tão pouco confiável, a maior parte do tempo cinzento, muitas vezes quente e úmido, nunca muito perfeito, coberto de nuvens e sombras; chuva, vento e sol às aparecendo juntos. Mas o céu de Nova York é azul, totalmente azul. A luz é branca, um branco magnificente, e o ar é forte, e também saudável. Não tem brincadeira com aquele céu. É uma coisa linda. É puro. II. Tinha uma rua em Nova ...
[Continue lendo]{A história é velha, mas recontada tem gosto de parto.} O revólver era calibre cauteloso. E as viagens que eles faziam, desassossegos. Walquíria estava grávida. Nove disparos de uma solidão intermitente. Seus homens, dois. Enfermeiro Francisco e marido José. Infelizes os níqueis que antecipavam a derrota dos seus, porque Walquíria tinhas planos e fez desejos.As gravatas foram cinzas e o vestido, um branco-breu. Resíduos. Os convidados sentaram-se no banco de madeira do pátio do estabelecimento. Suas expressões, cavidades sedadas de espanto. A boca arregalada. E o padre que era improvisado. Bonifrate o seu nome. Aconteceu desse modo, a clínica liberou ...
[Continue lendo](…) “Em que posso ajudá-la? Essa é a senha. Que posso fazer? Que posso fazer para ajudá-la? Dialogar, escutar, escutar e aprender. Caí em desgraça. Sinto pânico em meu medo de não ser capaz de ajudar. Eu quero eu quero eu quero eu quero a todo custo impressionar a pessoa que precisa de ajuda. É indispensável entender o desafio, a vontade ou necessidade irresistível de provar definitivamente que sou capaz de salvar uma alma do sofrimento. É isso: o desafio de defender alguém. Pai, olhe à direita. Pai, olhe à esquerda. Completarei minha saudação salvando alguém. Talvez salvando um ou ...
[Continue lendo]Feltro é um bom remédio para o frio. E músicas de cinco minutos para o banho quente que causa rachaduras no gesso. Chá com torradas sobrepostas para meias de lã que cobrem a pele alabastro. O barulho da fornalha faz com que queiram passar frio. Tão forte e propulsor. As caixas de papelão dariam uma bela cama se não fosse pelo camundongo que encontraram na garagem. Quando neva o céu é branco inclusive a noite. Vimos os seios da vizinha através da noite na janela do ano novo e nos lembramos do nariz de Depardieu: avant-garde. Quando éramos pequenas colocávamos ...
[Continue lendo]Parábola escrita em 1947, no diário da artista, e por ela estampada, em 1992, numa echarpe de seda e publicada em edição limitada por The Fabric Workshop, Filadélfia. O texto foi posteriormente impresso num banner de algodão de 178 pés de comprimento, usado pela artista numa performance em 5 de dezembro de 1992 em The Fabric Workshop (…) Durante essa performance, o banner, todo enrolado em volta de uma pessoa (Robert Storr), foi lentamente desenrolado e de novo enrolado em volta de duas pessoas abraçadas. Quando o banner foi desenrolado, seu texto pôde ser lido pelo público. A performance teve ...
[Continue lendo]Obra publicada pela primeira vez em 1947 por Gemor Press, como um livro de gravuras de edição limitada, feitas no Ateliê Stanley William Hayter 17, Nova York, com uma introdução de Marius Bewley (assistente de Peggy Guggenheim). Figura 1 Era uma vez uma garota que amava um homem. Eles tiveram um encontro próximo à estação da oitava rua do metrô da sexta avenida. Ela havia vestido suas melhores roupas, ele não pôde ir. Assim, o propósito desta imagem é mostrar como ela estava bonita. Quero dizer que ela estava realmente linda. Figura 2 A morte solitária do edifício Woolworth. ...
[Continue lendo]Meus caros, já que estamos todos nós em contagem regressiva para o término de um ano velho, início de um ano novo; docemente iludidos pela contraditória idéia de ser possível zerar o relógio da vida que corre e, ao mesmo tempo, recomeçar esta mesma vida justamente a partir de onde o Tempo nos deixou; já que estamos aqui e agora, mas desejando inutilmente estar lá e antes ou depois, então acho que vale refletir um pouco sobre o Tempo. Para estimular nossa reflexão apresento primeiro um pequeno excerto de uma carta de Sêneca (Córdoba, 4 a.C.- Roma, 65 d.C.), em ...
[Continue lendo]“Lembro-me de quando vivíamos em Stuyvesant [Folly]. Havia duas meninas que moravam no prédio. A mãe era bêbada e o pai tinha morrido. As meninas ficavam soltas pelo edifício, procurando outras crianças para brincar. Tocaram nossa campainha e meu marido abriu a porta. De repente havia uma poça no chão. Ela se fragmentou… A perda de controle significa fragmentação. Você está inteiro? Encontre-se. Sincronize-se.” Louise Bourgeois Depoimento: Documenta IX. Publicado pela primeira vez em 1992, por Harry N. Abrams, Inc., Nova York, e Edition Cantz, Stuttgart, no catálogo da exposição de Documenta IX. Kassel (13 de junho a 20 de setembro ...
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