“Agora, sentem-se calmamente; não porque eu lhes estou pedindo, mas por ser este o meio de aprender. Sentem-se e fiquem tranqüilos, não apenas fisicamente, não só com o corpo, mas também com serenidade. Assim, nesse estado de quietude, prestem atenção. Atentem para os ruídos que vêm de fora, para o cantar do galo, dos pássaros, para todo e qualquer barulho; ouçam primeiro as coisas que acontecem externamente e, depois, o que se passa na própria mente. Então, poderão notar, nesse silêncio, se souberem escutar, que o som externo e o interno são o mesmo som.” In: KRISHNAMURTI, Jiddu. Ensinar e Aprender. ...
[Continue lendo]Eu queria desviar seu olhar para sempre. eu queria ser o único no mundo a não ter visto. essa mão podia não ter estado lá, afinal: nem eu tampouco, e comigo desaparecer o mundo. esse brinde. a imagem de tua morte.Ela amara a vida apaixonadamente de longe. sem a impressão de estar nela nem de fazer parte dela. infeliz, ela fotografava relvados tranquilos e felicidade familiar. êxtase paradisíaco, ela fotografava a morte e sua saudade.Enfim adequação exata da morte mesma à morte sonhada, a morte vivida, a morte mesma mesma. idêntica à ela mesma mesma.Puro precipício do amor.Adormecer como todo ...
[Continue lendo]Voz obstinada, por que insiste chamandopor um nome que não corresponde mais a mim?Não é do meu propósito que fiques ao longe sozinha.Nem tu sabes que espécie de saudade abrolha na noitee como o silêncio tenta mover-se inutilmente,quando diriges teus ímãs sonoros,sondando direções!Não é do meu propósito, ó voz obstinada,mas da minha condição.As aparências dispersaram-se de mim,como pássaros:que sol se pode fixar nesta existência,para te definir a minha aproximação?Minhas dimensões se aboliram nos limites visíveis:como podes saber onde me circunscrevo,e de que modo me pode o teu desejo atingir?Eu mesma deixei de entender a minha substância;tenho apenas o sentimento dos ...
[Continue lendo]Cada memória apaixonada tem suas madalenas e a minha -saiba disso, onde quer que você estiver- é o perfume do tabaco claro que me devolve à tua noite espigada, à lufada da tua pele mais profunda. Não o tabaco que se aspira, a fumaça que reveste as gargantas, e sim aquela vaga equívoca fragrância que o cachimbo deixa nos dedos e que em algum momento, em algum gesto despercebido, sobe com seu látego de delícias para encabritar a lembrança que tenho de ti, a sombra das tuas costas contra o branco velame dos lençóis. Não me olhes aí da tua ...
[Continue lendo]O verbo prorrogar entrou em pleno vigor, e não só se prorrogaram os mandatos como o vencimento das dívidas e dos compromissos de toda sorte. Tudo passou a existir além do tempo estabelecido. Em conseqüência não havia mais tempo. Então suprimiram-se os relógios, as agendas e os calendários. Foi eliminado o ensino de História. Para que História? Se tudo era a mesma coisa, sem perspectiva de mudança. A duração normal da vida também foi prorrogada e, porque a morte deixasse de existir, proclamou-se que tudo entrava no regime da eternidade. Aí começou a chover, e a eternidade se mostrou ...
[Continue lendo]de onde vem este escolhoentre a mão e o olho? por que tão rápida a horado aqui e agora? entre o querer e o fazercabem quantos talvez? ah, a bela imediatez… PAES, José Paulo. Poesia completa. São Paulo: Cia das Letras, 2008, p.500.
[Continue lendo]Não digas nada!Não, nem a verdade!Há tanta suavidadeEm nada se dizerEm tudo se entender -Tudo metadeDe sentir e de ser…Não digas nada!Deixa esquecer.Talvez que amanhãEm outra paisagemDigas que foi vãToda esta viagemAté onde se quisVer quem me agrada…Mas ali fui feliz…Não digas nada. PESSOA, Fernando. Poesia: 1931-1935. São Paulo: Cia das Letras, 2009. p.339.
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