Conheci as obras da artista australiana Margarita Georgiadis há pouco tempo e me encantei particularmente com seus retratos borrados da série The Dust Weavers (2009). Quando vi, pensei: meu Deus, essa mulher pinta como quem tem catarata. E então me lembrei que certa vez, há muitos anos, em um asilo, eu atendi uma negra linda, centenária. Tento me lembrar de seu nome, não me lembro, infelizmente. Lembro-me apenas que ela tinha aqueles olhos de catarata, que velho que é velho tem, aquela nuvem nostálgica que médico diz que é doença e que eu acho que é medo de enxergar. Para ...
[Continue lendo]Muitos te olharãoMas não verão nada.Tua alma é vedadaAo que as outras são. Nunca a supuseramNem a imaginaramAs que te tiraramDo que elas não eram. Nunca a compreenderamOs mais juntos dela,Murada é a janelaOnde se estenderam. Dela ninguém toma,Nela ninguém nada,Fonte envenenada,Mar que não se doma. Píncaro alto e nu,Solitária estradaOnde à luz toldadaSó passeias tu. BUENO, Alexei. Poesia reunida. Rio de Janeiro: Nova Fronteira: 2003. p.244-245.
[Continue lendo]Queridos, quem me acompanha aqui no Imaginário conhece minha paixão pelo pensamento de Simone Weil, filósofa de primeira grandeza. Já apresentei aqui seus poemas La Porte e Nécessité, seu Plano de Reenraizamento Operário, exposto na obra O Enraizamento, seu princípio de Luz e Gravidade e ainda o poema Amor de George Herbert, que Simone Weil aponta como determinante em sua conversão cristã. A influência do pensamento de Simone Weil sobre mim fica ainda mais evidente na coluna Flechas de Laocoon, especialmente no post Do Delicado Equilíbrio da Leitura, completamente fundamentado em seu conceito de leitura. Bem, é no contexto desta admiração que participo a vocês, com muita ...
[Continue lendo]A primeira vez que vi TeresaAchei que ela tinha pernas estúpidasAchei também qua a cara parecia uma perna Quando vi Teresa de novoAchei que os olhos eram muito mais velhos que o resto do corpo(Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando que o resto do corpo nascesse) Da terceira vez não vi mais nadaOs céus se misturaram com a terraE o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face das águas. BANDEIRA, Manuel. Estrela da manhã e outros poemas. Antologia Poética. São Paulo: Círculo do Livro, 1978. p.70.
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