Mário de Andrade imputou à fotografia colorida uma “ridícula fraqueza”. Quem sabe não porque acreditasse que a cor pertence à pintura e que as fotografias constatam mais do que explicam as aparências. Poeta de impulsos infuriados, considerava o belo artístico, arbitrário, tão mais artístico quanto mais afastado do belo natural, imutável. Confiava nos exageros legítimos e conscientes como símbolos capazes de irmanar a vida e o sonho. Henri Matisse ensinou que entre matizes “há tanta diferença quanto o sol e a sombra”. Em suas pinturas modulou cores, relacionando-as e valorizando suas diferenças para que exprimissem a luz e traduzissem as ...
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