É preciso fé para cortar as unhas, cuidar dos dentes como bens de empréstimo. O cobrador invisível bate à porta. Não durmo, ele também não. Deve ser amor o que nos deixa unidos neste avesso de mística. Por orgulho de pobre dou por bastante a pouca claridade e prefiro a vigília antes que ter repouso. PRADO, Adélia. A duração do dia. Rio de Janeiro, São Paulo: Record, 2010. p.61.
[Continue lendo]“Com pedaços de mim eu monto um ser atônito.”Manoel de Barros BARROS, Manoel de. Livro sobre Nada. Rio de Janeiro: Record, 1996. p.37.
[Continue lendo]Quando menino, eu temia que o espelho Me mostrasse outro rosto ou uma cega Máscara impessoal que ocultaria Algo na certa atroz. Temi também Que o silencioso tempo do espelho Se desviasse do curso cotidiano Dos horários do homem e hospedasse Em seu vago extremo imaginário Seres e formas e matizes novos. (Não disse isso a ninguém, menino tímido.) Agora temo que o espelho encerre O verdadeiro rosto de minha alma, Lastimada de sombras e de culpas, O que Deus vê e talvez vejam os homens. BORGES, Jorge Luis. Poesia. São Paulo: Cia das Letras, 2009. p.282.
[Continue lendo]Com o passar dos anos me rodeiauma constante névoa refulgenteque aos poucos reduz todo o existentea algo informe e sem cor. Quase a uma idéia.A vasta noite elementar e o diacheio de gente são essa neblinade luz incerta e fiel que não declinae que espreita na aurora. Gostariade ver um rosto algum dia. Ignoroa inexplorada enciclopédia, o prazerde livros que minha mão sabe ler,as altas aves e as luas de ouro.Aos outros todos resta o universo;a minha penumbra, o hábito do verso. BORGES, Jorge Luis. Poesia. São Paulo: Cia das Letras, 2009, p.398.
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