Eurico Alves, poeta baiano,Salpicado de orvalho, leite cru e tenro cocô de cabrito,Sinto muito, mas não posso ir a Feira de Sant’Ana. Sou poeta da cidade.Meus pulmões viraram máquinas inumanas e aprenderam a respirar[o gás carbônico das salas de cinema. Como o pão que o diabo amassou.Bebo leite de lata.Falo com A. que é ladrão. Aperto a mão de B. que é assassino.Há anos que não vejo o romper do sol, que não lavo os olhos nas cores[das madrugadas. Eurico Alves, poeta baiano,Não sou mais digno de respirar o ar puro dos currais da roça. BANDEIRA, Manuel. 50 poemas escolhidos pelo ...
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