Sai do círculo do tempoe entra no círculo do amor.Entra na rua das tavernase senta entre os beberrões. Se queres a visão secreta,fecha teus olhos.Se desejas um abraço,abre teu peito. Se anseias por uma face com vida,rompe esse rosto de pedra.Por que hás de pagar o dote da vidaa essa velha bruxa, a terra? Mil gerações já gozaramdo que agora tens.Prova a doçura em tua bocaque antes foi flor, abelha e mel. Vamos, aceita essa pechincha:dá uma única vidae leva uma centena. JALAL AL-DIN RUMI, Mawlana. Poemas místicos. Seleção de poemas do Divan de Shams-i Tabriz. Tradução e introdução de ...
[Continue lendo]Esquece o mundo e comanda o mundo.Sê a lâmpada, o barco salva-vidas,a escada. Sai de tua casa e, como o pastor,ajuda a curar a alma do teu próximo.Entra no fogo espirituale deixa-te calcinar. Sê o pão bem assado, sê o senhor da mesa.Vem, sacia teus irmãos.Tu, que tens sido a fonte da dor,sê agora o deleite. Viveste como uma casa sem alicerces.Sê agora o Um que perscrutao interior do invisível. Assim que me calei,uma voz chegou aos meus ouvidos:“Se te tornas isto, serás aquilo.” Silêncio!E depois mais silêncio.Não uses a boca para falar.A boca é para provar dessa doçura. JALAL ...
[Continue lendo]Nem tudo se desfaz, anda em tudo um resquício,um eco ou outro a mais de restos e destroços,que alcançam ou não alcançam voltar a serem nossos,segundo um coração baixe a seu precipício.Que a aventura é escarpada e a escalada difícil,alguém já disse isso; diz-se também que os ossosdo ofício, nus, inglórios, são como um desperdício,um fogo-fátuo na memória – quantos fósseissomam um só rosto, a mão que o livra num só gestode um feixe de cabelos a tumultuar-lhe a testa…?Resta que um corpo acorda louco de alegria,só porque, oco como uma ânfora vazia,ainda há pouco invadiu-o, lhe entrou por cada ...
[Continue lendo]Atenta para as sutilezasque não se dão em palavras.Compreende o que não se deixacapturar pelo entendimento. JALAL AL-DIN RUMI, Mawlana. Poemas místicos. Seleção de poemas do Divan de Shams-i Tabriz. Tradução e introdução de José Jorge de Carvalho. São Paulo: Attar,1996. NOTA:”O Divan de Shams de Tabriz é uma coleção de poemas escritos no séc. XIII pelo poeta persa Jalal ud-Din Rumi, conhecido no Oriente também por Maulana Rumi ou simplesmente Maulana (Mevlana, em persa, ‘nosso senhor’), e no Ocidente apenas por Rumi. Celebrado como o maior poeta místico de toda a tradição persa e árabe, Rumi pertence à seleta ...
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