Exma. Sra. Tarsila do Amaral Paris S. Paulo, 11- I -923. Querida amiga Se é mesmo verdade que os gregos e os romanos tratavam seus deuses com familiaridade amiga, creio que foi o cristianismo que trouxe para os homens ocidentais o temor pelas entidades divinas. Aproximo-me temeroso de ti. Creio que és uma deusa: NÊMESIS, senhora do equilíbrio e da medida, inimiga dos excessos. Quando um homem da Terra era demasiado feliz, via crescerem-lhe terras e riquezas, e tinha em torno de si braços, lábios de amor, coroas de glória e alegrias somente, Nêmesis aparecia. Vinha lenta, com seu passo ...
[Continue lendo]“Paris de 1923! As recordações fervilham, amontoam-se, atropelam-se…Meu ateliê da Rua Hégésippe Moreau, que Paulo Prado descobrira ter sido habitado por Cézane, foi frequentado por importantes personagens. Aos almoços tipicamente brasileiros, às vezes compareciam Cocteau, Erik Satie, Valéry Larbaud, Jules Romains, Giradoux, Brancusi, Amboise Vollard. Entre os brasileiros, Villa-Lobos, Paulo Prado, dona Olívia Guedes Penteado, Souza Lima, Oswald de Andrade, Sérgio Milliet, Di Cavalcanti…” Tarsila do Amaral, Recordações de Paris Poema Atelier [de Oswald de Andrade para Tarsila do Amaral, publicado na Revista 'Pau Brasil' (1925)] Caipirinha vestida por PoiretA preguiça paulista ...
[Continue lendo]“Vemos em Tarsila uma pintora que, a partir da experiência cubista, retornou liberada para seu ensimesmado subjetivismo, a refletir uma atmosfera nossa _através da cor poderosa em sua paleta original_ e, na fase “pau-brasil” a imagem chapada, em paisagens e figuras de postura quase hierática em sua frontalidade, ingênua/sabida simultaneamente, elementos desafiando a gravidade, suspensos, sem peso, posto que sem volume. O que deve ser exaltado em sua contribuição é que ela realiza a construção dessas telas dos anos 20 conseguindo comunicar com antecipação algo da cultura brasileira de seu tempo/espaço, através de uma liberação, em sua forma de se ...
[Continue lendo]“É portanto urgente examinar um plano de reenraizamento operário, do qual está aqui, em resumo, um esboço possível. As grandes fábricas seriam abolidas. Uma grande empresa seria constituída por uma oficina de montagem ligada a um grande número de pequenas oficinas, de um ou de alguns operários cada uma, dispersos através do campo. Seriam esses operários, e não especialistas, que iriam sucessivamente, por períodos, trabalhar na oficina central de montagem, e esses períodos deveriam constituir festas. O trabalho não seria senão de meio período, o resto devendo ser consagrado aos laços de camaradagem, ao desenvolvimento de um patriotismo de empresa, ...
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