“Aqui se fecharam olhos através dos quais o universo se contemplava com amor e em toda sua riqueza.”Epitáfio de Johann Jakob Wagner “Como os eleatas, como Santo Agostinho, Novalis pressentiu que o mundo de dentro é o caminho inevitável para se chegar verdadeiramente ao mundo externo e descobrir que os dois serão um só quando a alquimia dessa viagem produzir um homem novo, o grande reconciliado. Novalis morreu sem chegar à flor azul, Nerval e Rimbaud desceram em seu tempo até as Mães e nos condenaram à terrível liberdade de pretender-nos deuses a partir de tanto barro. Por todos eles, ...
[Continue lendo]“Vimos que o trabalho é filho da Necessidade. O homem produz na dor e a obra não escapa deste aforisma. Enquanto ela também é um trabalho, cai sob o golpe da necessidade. Esta estende seu império até a obra; a penetra e a domina, porém sofre, por sua vez, uma derrota, cai na sua própria armadilha, pois eis que ela é totalmente querida. Ela prende o criador, mas este também a tem. São como dois combatentes, solidários apesar de si mesmos, que a própria lute reúne num abraço mútuo e infrangível. Esta é a essência da obra: uma necessidade querida. ...
[Continue lendo]Meu caro irmão, Obrigado por sua gentil carta e pela nota de cinquënta francos que ela continha. Já que as coisas vão bem, o que é o principal, por que insistiria eu em coisas de menor importância? Por Deus! Provavelmente se passará muito tempo antes que se possa conversar de negócios com a cabeça mais descansada. Os outros pintores, independente do que pensem instintivamente mantêm-se à distância das discussões sobre o comércio atual. Pois é, realmente só podemos falar através de nossos quadros. Contudo, meu caro irmão, existe isso que eu sempre lhe disse e novamente voltarei a dizer com ...
[Continue lendo]Não há nada que dure mais do que um sapato velhoJogado fora.Fica sempre carcomido.Ressecado, embodocado,Saliente por cima dos monturos.Quanto tempo!Que de chuva, que de sol,Que de esforço, constante, invisível,Material, atuante,Silencioso, dia e noite,Precisará um calçado, no lixo,Para se decompor absolutamente,Se desintegrar quimicamenteEm transformações de humo criador? CORALINA, Cora. Poemas dos becos de Goiás e estórias mais. São Paulo: Círculo do Livro, p. 67.
[Continue lendo]“Um girassol se apropriou de Deus: foi em Van Gogh.”Manoel de Barros BARROS, Manoel de. O Livro das Ignorãças. Rio de Janeiro: Record, 2007. p.15.
[Continue lendo]“Na verdade, as paixões cozinham e recozinham na solidão. É encerrado em sua solidão que o ser de paixão prepara suas explosões ou seus feitos. E todos os espaços das nossas solidões passadas, os espaços em que sofremos a solidão, desfrutamos a solidão, desejamos a solidão, comprometemos a solidão, são indeléveis em nós. E é precisamente o ser que não deseja apagá-los. (…) a lembrança das solidões estreitas, simples, comprimidas, são para nós experiências do espaço reconfortante, de um espaço que não deseja estender-se, mas gostaria sobretudo de ser possuído mais uma vez.” BACHELARD, Gaston. A Poética do Espaço. Tradução ...
[Continue lendo]Bem sei que, olhando pra minha cara,pra minha boca, triste e incoerente,pros gestos vagos de sombra incertaque hoje sou eu,minha loucura se faz tão clara,minha desgraça tão evidente,minha alma toda tão descoberta,que pensam: “Este, não bebeu…”Passei a noite, passei o diade cotovelos firmes na mesa,de olhos sobre o vinho perdidos,a testa pulsando na mão:e muros de melancoliasubiam pela sala acesa,inutilizando os gemidos,mas quebrando-me o coração.Deixei o copo no mesmo nível:bebida imóvel, espelho atento,onde -só eu- vi desabrochares,rosto amargo de amor!Vim da taverna ébrio de impossível,pisando sonhos, beijando o vento,falando às pedras, agarrando os ares…- Oh! deixem-me ir para onde eu ...
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