I Tudo o que se passouÉ mentiraPorque o que é o serNão pode nunca mais deixar de sê-lo.Ontem nunca existiu, não te levantaste nem dormiste.A hora que passou não passou, onde está ela agora?Tudo o que foi, e tudo foi, é mentira e unicamente mentira.Algo está aqui, mas este algo não é o teu passadoNem o do mundo, nem o do Universo.Nunca nada existiu.Tudo acabou de ser criado, agora.Não perguntes, deploravelmente, como pôde Deus criar o mal,Pois jamais houve mal.Nunca um homem nasceu.Nunca morreu homem algum.Nunca ninguém amou ninguém.Nunca houve qualquer guerra sobre a terra.Tua mãe não te pariu, tua ...
[Continue lendo]Muitos te olharãoMas não verão nada.Tua alma é vedadaAo que as outras são. Nunca a supuseramNem a imaginaramAs que te tiraramDo que elas não eram. Nunca a compreenderamOs mais juntos dela,Murada é a janelaOnde se estenderam. Dela ninguém toma,Nela ninguém nada,Fonte envenenada,Mar que não se doma. Píncaro alto e nu,Solitária estradaOnde à luz toldadaSó passeias tu. BUENO, Alexei. Poesia reunida. Rio de Janeiro: Nova Fronteira: 2003. p.244-245.
[Continue lendo]“A vida está aqui. A vida é só isso. Lá há vida além disso? A vida, ei-la aí. É a vida, isso é a vida. É a vida aí na frente. A vida é a presente. A vida é a aqui tida. Tal vida é a que amamos. É a vida que é viva. É a vida aí cativa. É a vida que odiamos. É a vida visível. É a vida dos pés. É a vida e os cafés Que é a vida visível. Pois a vida é o vivo Dizer: vida!, agora, Já que a vida é a hora ...
[Continue lendo]Só pisando subimos, Só derrotando vencemos, Só conformando o outro a nós o amor nos alcança, E tudo isso com sermos, seguramente sermos o outro Até que nada nos reste de escapatória ou abrigo. BUENO, Alexei. Poesia Reunida. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2003. p.310
[Continue lendo]Odiamos todosOs que nós não somosPor todos os modos. A eles nos transpomosVendo-os pôr-se em nósQuais neles nos pomos. Um do outro apósSó enganos avista.Enredados, sós. Somos o que distaE ainda assim assalta.Na promíscua pista.Vai só a nossa falta. BUENO, Alexei. Poesia Reunida. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2003. p.244.
[Continue lendo]