Eu amo meu marido. De manhã à noite. Mal acordo, ofereço-lhe café. Ele suspira exausto da noite sempre maldormida e começa a barbear-se. Bato-lhe à porta três vezes, antes que o café esfrie. Ele grunhe com raiva e eu vocifero com aflição. Não quero meu esforço confundido com um líquido frio que ele tragará como me traga duas vezes por semana, especialmente no sábado. Depois, arrumo-lhe o nó da gravata e ele protesta por consertar-lhe unicamente a parte menor de sua vida. Rio para que ele saia mais tranqüilo, capaz de enfrentar a vida lá fora e trazer de volta ...
[Continue lendo]“Medito na paixão que não está doendo.” Ana Cristina Cesar, maio de 1980, em carta endereçada a Ana Cândida Peres. In: CESAR, Ana Cristina. Correspondência incompleta. São Paulo: Editora IMS, 1998.
[Continue lendo]Também eu saio à reveliae procuro uma síntese nas demorascato obsessões com fria têmpera e digodo coração: não soube e digoda palavra: não digo (não posso ainda acreditarna vida) e demito o verso como quem acenae vivo como quem despede a raiva de ter visto CÉSAR, Ana Cristina; Freitas Filho, Armando (org.). Inéditos e dispersos. 3ª ed. São Paulo: Ática, Instituto Moreira Salles, 1998, p.81.
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