Nem tudo se desfaz, anda em tudo um resquício,um eco ou outro a mais de restos e destroços,que alcançam ou não alcançam voltar a serem nossos,segundo um coração baixe a seu precipício.Que a aventura é escarpada e a escalada difícil,alguém já disse isso; diz-se também que os ossosdo ofício, nus, inglórios, são como um desperdício,um fogo-fátuo na memória – quantos fósseissomam um só rosto, a mão que o livra num só gestode um feixe de cabelos a tumultuar-lhe a testa…?Resta que um corpo acorda louco de alegria,só porque, oco como uma ânfora vazia,ainda há pouco invadiu-o, lhe entrou por cada ...
[Continue lendo]Provavelmente porque o ser se intranquiliza de já não ser o que ia sendo; intensamente, porque as fogueiras de um martírio impenitente são seus triunfos, seus troféus cheios de cinza; e finalmente porque tudo o que agoniza quer promulgar, solenizar o impermanente, o coração, naquele fundo ambivalente da coisa humana, momentâneo como a brisa, mas persuadido de que as músicas da mente hão de reter do ser mais do que uma soma, o coração vive das sombras de um aroma. Só muito raramente esse iludido sente a força de acordar antes que a luz cadente o deixe louco como à ...
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