Não falarei de coisas, mas de inventose de pacientes buscas no esquisito.Em breve, chegarei à cor do grito,à música das cores e do vento. Multiplicar-me-ei em mil cinzentos(desta maneira, lúcido, me evito)e a estes pés cansados de granitosaberei transformar em cataventos. Daí, o meu desprezo a jogos clarose nunca comparados ou medidoscomo estes meus, ilógicos, mas raros. Daí também, a enorme divergênciaentre os dias e os jogos, divertidose feitos de beleza e improcedência. PENA FILHO, Carlos. Livro Geral. Rio de Janeiro: Livraria São José, 1959.
[Continue lendo]- Sino, claro sino, tocas para quem?- Para o Deus menino que de longe vem.- Pois se o encontrares, traze-o ao meu amor.- E o que lhe ofereces, velho pecador?- Minha fé cansada, meu vinho, meu pão,- Meu silêncio limpo, minha solidão. PENA FILHO, Carlos. Livro Geral – Poemas, Recife, Ed. Liceu, 1999. Em nome da equipe editorial do imaginário poético, desejo a todos os leitores e amigos um Natal de paz e comunhão!Abraço a todos,dana paulinelli
[Continue lendo]Então, pintei de azul os meus sapatospor não poder de azul pintar as ruasdepois, vesti meus gestos insensatose colori as minhas mãos e as tuas. Para extinguir em nós o azul ausentee aprisionar no azul as coisas gratas,enfim, nós derramamos simplesmenteazul sobre os vestidos e as gravatas. E afogados em nós, nem nos lembramosque no excesso que havia em nosso espaçopudesse haver de azul também cansaço. E perdidos de azul nos contemplamose vimos que entre nós nascia um sulvertiginosamente azul. Azul. COUTINHO, Ediberto. Os melhores poemas de Carlos Pena Filho. 4a ed. São Paulo: Ed. Global, 2000.
[Continue lendo]Quando nada mais resistir que valhaA pena de viver e a dor de amar,Quando nada mais interessar,Nem o torpor do sono que se espalha;Quando, pelo desuso da navalha,A barba livremente caminharE até Deus em silêncio se afastar,Deixando-te sozinho na batalha,A arquitetar na sombra a despedidaDo mundo que te foi contraditório,Lembra-te que afinal te resta a vidaCom tudo o que é insolvente e provisório,E de que ainda tens uma saída:Entrar no acaso e amar o transitório. PENA FILHO, Carlos. Livro Geral – Poemas. Recife: Ed. Liceu, 1999.
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