Não há nada que dure mais do que um sapato velhoJogado fora.Fica sempre carcomido.Ressecado, embodocado,Saliente por cima dos monturos.Quanto tempo!Que de chuva, que de sol,Que de esforço, constante, invisível,Material, atuante,Silencioso, dia e noite,Precisará um calçado, no lixo,Para se decompor absolutamente,Se desintegrar quimicamenteEm transformações de humo criador? CORALINA, Cora. Poemas dos becos de Goiás e estórias mais. São Paulo: Círculo do Livro, p. 67.
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