Essa sensação de ir descalço, a camisacheirando a sol de varal. Tu, minha mulher, eras corrente e água calmaas oscilações da palha e trigo. Teu corpo arvorava nos lábios indecisos ou nos cabelos?Na encosta da cinta ou nas dunas dos seios?Quando começavas a te revelar? No desejo apetecidoou na fome de um filho?Como definir se a luz deitou as vestes? Cumprias distâncias em mim.Madrugando não alcançaria. Venho de tua lonjura, os braços eram remosno barco e aço da âncora.Acostumado à extensão das raízes,não sobrevivo no vaso dos pés. Passei a vida aprendendo a respeitar teu espaço. Como povoá-loapós tua partida? ...
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