“Viver? Ora, nossos criados farão isso por nós” A frase do personagem de Williers deL’Isle-Adam marca uma atitude comum em certa parte da intelectualidade da segunda metade do século XIX. Consolidada a burguesia no poder e, mais que isto, o gosto burguês na sociedade, a reação de alguns escritores e artistas como Huysmans, L’Isle-Adam e outros é voltar as costas à mediocridade dominante no cotidiano. A vida é isto? Então, ao contrário, às avessas. Às avessas, inclusive, com o naturalismo e sua glorificação do homem médio. O que conta é o ser excepcional, o prazer insólito e insuspeitado, inalcançável pelo ...
[Continue lendo]hoje agora me decidodepois amanhã hesitoo dia detém meu passoa noite cala meu grito deuses onde? céu existe?céu existe? deuses onde?um eco que faz perguntasum espelho que responde e eu sísifo tardotristea tilintar as correntesde dilemas renitentes lá me vou sem vez nem vozrolar a pedra dos mudospela montanha dos sós PAES, José Paulo. Poesia completa. São Paulo: Cia das Letras, 2008. p.448.
[Continue lendo]mortosem filho nemárvore livros só enfima existênciafeita essência: pó PAES, José Paulo. Poesia completa, São Paulo: Cia das Letras, 2008. p.346.
[Continue lendo]o ritodo diao ríctusdo diao riscodo dia EU?UE? olhopor olhodentepor denterugapor ruga EU?UE? o fioda barbao fioda navalhaa vidapor um fio EU?UE? mas a barbafeitaa máscararefeitamais um diaaceita EUEU PAES, José Paulo. Poesia completa. São Paulo: Cia das Letras, 2008. p.175-6.
[Continue lendo]de onde vem este escolhoentre a mão e o olho? por que tão rápida a horado aqui e agora? entre o querer e o fazercabem quantos talvez? ah, a bela imediatez… PAES, José Paulo. Poesia completa. São Paulo: Cia das Letras, 2008, p.500.
[Continue lendo]vamos pôr uma bengala de cego no túmulo de homeropara que ele possa vagar em segurança pelas trevas do hades vamos pôr um sapato de chumbo no túmulo de dantepara que ele possa ascender mais depressa ao encontro de beatriz vamos pôr uma corda de enforcado no túmulo de villonpara que ele possa balançar-se em boa companhia vamos pôr um olho de vidro no túmulo de camõespara que ele possa assistir à volta d’el-rei d.sebastião vamos pôr um pedaço de carniça no túmulo de baudelairepara que ele possa sentir o cheiro da vida aqui fora vamos pôr um silenciador no ...
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