“Queria ser admirado pelos pássaros.”Manoel de Barros BARROS, Manoel de. Poemas rupestres. Rio de Janeiro: Record, 2007. p.51.
[Continue lendo]Desde sempre parece que ele fora proposto a pássaro.Mas não tinha preparatórios de uma árvore Pra merecer no seu corpo ternuras de gorjeios. Ninguém de nós, na verdade, tinha força de fonte. Ninguém era início de nada. A gente pintava nas pedras a voz. E o que dava santidade às nossas palavras era a canção do ver! Trabalho nobre aliás mas sem explicação Tal como costurar sem agulha e sem pano. Na verdade na verdade Os passarinhos que botavam primavera nas palavras. BARROS, Manoel de. Poemas rupestres. Rio de Janeiro, São Paulo: Record, 2007, p.21.
[Continue lendo]“Sabedoria pode ser que seja estar uma árvore.” Manoel de Barros BARROS, Manoel de. Livro sobre Nada. Rio de Janeiro, São Paulo: Editora Record, 1996, p.69. Imagem: cabeça de Buddha (iluminado, desperto) entrelaçada nas raízes de uma árvore Bodhi (iluminação, despertar), um tipo de figueira que, segundo os textos sagrados do Budismo, teria sido a árvore em que Siddhartha Gautama meditava quando atingiu a iluminação e onde teve seu primeiro exemplo de conceito budista: o caminho do meio, ao aceitar comer após longo jejum. A árvore da imagem acima encontra-se na Tailândia.
[Continue lendo]1925 22.1 O nome de um passarinho que vive no cisco é joão-ninguém. Ele parece com Bernardo. 23.2 Lagartixas têm odor verde. 2.3 Formiga é um ser tão pequeno que não agüenta nem neblina. Bernardo me ensinou: Para infantilizar formigas é só pingar um pouquinho de água no coração delas. Achei fácil. 23.2 Quem ama exerce Deus _a mãe disse. Uma açucena me ama. Uma açucena exerce Deus? 2.3 Eu queria crescer pra passarinho… 5.3 A voz de meu avô arfa. Estava com um livro debaixo dos olhos. Vô! o livro está de cabeça para baixo.Estou deslendo. 5.6 O frio ...
[Continue lendo]“Um girassol se apropriou de Deus: foi em Van Gogh.”Manoel de Barros BARROS, Manoel de. O Livro das Ignorãças. Rio de Janeiro: Record, 2007. p.15.
[Continue lendo]E agoraque fazercom esta manhã desabrochada a pássaros? BARROS, Manoel de. Poemas rupestres. Rio de Janeiro: Record, 2007. p.27.
[Continue lendo]Ando muito completo de vazios.Meu órgão de morrer me predomina.Estou sem eternidades.Não posso mais saber quando amanheço ontem.Está rengo de mim o amanhecer.Ouço o tamanho oblíquo de uma folha.Atrás do ocaso fervem os insetos.Enfiei o que pude dentro de um grilo o meu destino.Essas coisas me mudam para cisco.A minha independência tem algemas. BARROS, Manoel de. O Livro das Ignorãças. Rio de Janeiro: Record, 2007. p.55.
[Continue lendo]Prefiro as máquinas que servem para não funcionar: quando cheias de areia de formiga e musgo – elas podem um dia milagrar de flores. (Os objetos sem função têm muito apego pela abandono.) Também as latrinas desprezadas que servem para ter grilos dentro – elas podem um dia milagrar violetas. (Eu sou beato em violetas.) Todas as coisas apropriadas ao abandono me religam a Deus. Senhor, eu tenho orgulho do imprestável! (O abandono me protege.) BARROS, Manoel de. Livro sobre nada. Rio de Janeiro: Record, 1996, p.57.
[Continue lendo]“Com pedaços de mim eu monto um ser atônito.”Manoel de Barros BARROS, Manoel de. Livro sobre Nada. Rio de Janeiro: Record, 1996. p.37.
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