Em abril de 1926, Bóris Pasternak enviou uma carta a Marina Tsvétaïeva pedindo-lhe que respondesse um questionário -expedido pelo Gabinete de Literatura Revolucionária da Divisão de Estudos das Artes da Revolução da Academia das Ciências das Artes (!)- para que Tsvétaïeva entrasse no Dicionário dos escritores do século XX. Com exceção de dados objetivos -tais como nome, local e data de nascimento, origem social e instrução- ela não se atém às formalidades das perguntas, deixando evidente seu espírito forte e brilhante. Transcrevo, agora, algumas de suas respostas. Marina Ivanovna TSVÉTAÏEVA Nascida a 26 de Setembro de 1892 em ...
[Continue lendo]Abro as veias: irreprimível, Irrecuperável, a vida vaza, Ponham embaixo vasos e vasilhas! Todas as vasilhas serão rasas, Parcos os vasos. Pelas bordas -à margem- Para os veios negros da terra vazia, Nutriz da vida, irrecuperável, Irreprimível, vaza a poesia. TZVETÁIEVA, Marina. Abro as Veias. In: CAMPOS, Augusto de. Poesia da Recusa. Tradução de Augusto de Campos. São Paulo: Perspectiva, 2006. p.165.
[Continue lendo]O sol é um só. Por toda parte caminha.Não o darei a ninguém. Ele é coisa minha.Nem por um raio. nem por um olhar. Nem por um instante.A ninguém. Nunca.Que morram as cidades numa noite constante!Nos braços vou apertar, que não possa girar!Faço as mãos, os lábios, o coração queimar!Se desaparecer na noite infinita, no encalço hei de correr…Meu sol! A ninguém o darei! TSVETÁIEVA, Marina. Indícios flutuantes. Tradução de Aurora Fornoni Bernardini. São Paulo: Martins Fontes, 2006. p.67.
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