_ Há montanhas -prossegui- muito altas, imensas, cobertas de mosteiros. E nesses mosteiros vivem monges de hábitos amarelos. Ficam sentados, pernas cruzadas, um mês, dois meses, seis meses, e apenas pensam em uma única coisa. Uma só, entende? Não duas, uma! Não pensam, como nós, na mulher e na linhita, ou nos livros e na linhita: concentram seu espírito sobre uma única e mesma coisa, e realizam milagres. É assim que acontecem os milagres. Você viu, Zorba, que, ao expor uma lupa ao sol, você reúne todos os raios num mesmo ponto? Esse ponto logo pega fogo. Por quê? Porque ...
[Continue lendo]Três, quatro, cinco dias se passaram e Zorba não voltava. No sexto dia, recebi de Cândia uma carta de muitas páginas, um verdadeiro discurso. Estava escrita em papel rosa perfumado, tendo, no canto, um coração atravessado por uma flecha. Guardei-a com cuidado e transcrevo-a, conservando as expressões afetadas esparsas aqui e e ali. Retifiquei somente os deliciosos erros de ortografia. Zorba segurava a caneta como uma enxada, escrevendo com força, e, por isso, em vários lugares o papel estava furado ou manchado de tinta. Caro patrão, senhor capitalista! Pego na pena primeiramente para lhe perguntar se a saúde está favorável e em segundo ...
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