O real é oco, coxo, capenga.O real chapa.A imaginação voa. Escrevi até a exaustãono pergaminho d’água do sono.Nessas linhas esvaídas no vórtice da vigília,ao mesmo tempo em que inebriado ouviacom o mais apurado ouvido absoluto,parece que eu transcreviacom a exata minúcia de geômetra-matemático,em uma vívida e mutável clave,as notas do sempre mesmo rouxinol.Sumida a cor dos perfumes das rosasde Hafiz de Chiraz sem deixar pista de armazém, aparelho clandestino, ponta de estoque, local de resgate, arquivo ou fichário do fantasmático país do olvido dessa amalgamada região dos tropos, acordei (oh! calígrafo dopado!) e nada restou ...
[Continue lendo]Ó velho oceano cheio de tretas, velho oceano,Quem com olhos de seca pimenteiraQueimará toda tua água, a lisa e a encapelada? O fogo, o fogo, o fogo. “O relâmpago é o senhor dono de tudo”(assim Heráclito, o Obscuro secretava e esparzia o pó elemental das coisas.) Quem queimará a tua água lisa e a tua água encapelada?A chama -sereia desmiolada- de que se recordará?Nem das cinzas, nem de si-mesma, nem de nada. SALOMÃO, Waly. Pescados Vivos, p.59. In: BOAVENTURA, Flávio. O amante da algazarra. Nietzsche na poesia de Waly Salomão. Belo Horizonte: Eitora UFMG, 2009. p.35.
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