“Candido Portinari nasceu no dia 30 de dezembro de 1903, numa fazenda de café em Brodoswki, no Estado de São Paulo. Filho de imigrantes italianos, de origem humilde, recebeu apenas a instrução primária e desde criança manifestou sua vocação artística. Aos quinze anos de idade foi para o Rio de Janeiro em busca de um aprendizado mais sistemático em pintura, matriculando-se na Escola Nacional de Belas Artes. (…) Vai para Paris, onde permanece durante todo o ano de 1930. Longe de sua pátria, saudoso de sua gente, Portinari decide, ao voltar para o Brasil em 1931, retratar nas suas telas ...
[Continue lendo]I Os inventariantes pedirão conta dos cílios Apedrejados. Das madeiras inertes e dos cabelos Perdidos e dos egoísmos. Das penas das aves Das chuvas inúteis. Dos furacões e dos ventos II Dos espaços perdidos. Das lágrimas secas Dos carvões em brasa e das fogueiras de São João. Das violetas sob a terra nos cemitérios Das cores das môças morenas. III Das gotas d’água afundadas nas pedras. Dos laranjais Sem laranja e das malvadezas. Das águas constantes e Da lepra. Quem responderá? Os inventariantes quererão saber Dos feios e dos pequenos funcionários que estão sempre IV Nas filas, filas de caixões ...
[Continue lendo]Vim da terra vermelha e do cafezal. As almas penadas, os brejos e as matas virgens Acompanham-me como o espantalho, Que é o meu auto-retrato. Todas as coisas frágeis e pobres Se parecem comigo. [Candido Portinari] FONTE: Projeto Portinari: Centenário Portinari 2003 |2004. “No dia 9 de fevereiro de 1962, três dias após a morte de Candido Portinari, o poeta brasileiro, Carlos Drummond de Andrade, publica o poema “A Mão”, do qual estes trechos selecionados encerram esta palestra e este texto: Entre o cafezal e o sonho o garoto pinta uma estrela dourada na parede da capela. […] A mão sabe ...
[Continue lendo]“É no regresso de sua segunda viagem à Europa, em 1931, que Goeldi irá dedicar-se com mais decisão à gravura, a despeito da indiferença do meio. Nos anos seguintes construirá a parte mais importante de sua obra, aquela que lhe garante uma situação absolutamente incomparável, na história das artes gráficas no Brasil. Se a dúvida sobre o próprio valor desapareceu, sua visão dos seres e das coisas continua pessimista, e empresta, aos objetivos mais banais, o sentimento trágico de quem não tem ilusões. Começam a surgir então, em sua obra, temas que ficarão para sempre ligados ao nome do artista: ...
[Continue lendo]Só Deus sabe quantas vezes eu pensei no que será o ‘dia-a-dia de Goeldi’. Que me contou do clima, do mato verde, das andanças noturnas, do vaguear diurno, de excitantes verduras e frutas tropicais, etc. Mas, na pequena folha que mostra uma mesinha na beira-mar, o senhor realizou uma coisa até agora nunca vista – está vindo ‘aquilo’- a noite profunda – foi uma ‘vida realizada’. Última carta de Alfred Kubin a Oswaldo Goeldi 7 de janeiro de 1951 Gravura. Arte Brasileira do Século XX. São Paulo: Cosac Naify, Itaú Cultural, 2000. p.44.
[Continue lendo]“Nasceu em Belém do Pará, a 09 de outubro de 1900 e faleceu no Rio, em 6 de Abril de 1934. Tinha gôsto e talento para tôdas as artes, mas cultivou de preferência a pintura, tendo deixado neste domínio uma obra importante, ainda não convenientemente estudada. Depois de sua morte, viemos a saber que era também poeta, por uma série de poemas publicados na Revista ‘A Ordem’, números de Fevereiro a Abril de 1935, por iniciativa de seu grande amigo Murilo Mendes. Vinham os poemas acompanhados de notas e comentários, que explicavam a concepção que do mundo e da arte ...
[Continue lendo]“A carreira do pintor Ismael Nery não seguiu uma linha de evolução definida. Ele era solicitado por tendências opostas, não tendo compromissos com nenhum grupo ou doutrina estética. Atraíam-no muito os mestres clássicos, mas não há dúvida de que o substrato romântico do seu espírito era de tal forma rico e fecundo que Ismael pode mergulhar sempre nele, sem artificialismo nem constrangimento. Por aí se vê que Ismael não usou o romantismo como atitude estética. Possuía uma consciência superlativa da dualidade espírito-matéria, sabendo que ampliação do conflito dá riqueza à vida do homem em geral e do artista em particular. ...
[Continue lendo]Queridos, apresento a vocês uma verdadeira raridade que garimpei em um sebo: um poema de Di Cavalcanti publicado na Antologia de Poetas Brasileiros Bissextos Contemporâneos, organizada e apresentada por Manuel Bandeira em 1946. Mas deixo que o próprio Bandeira apresente o pintor como poeta: “O seu verdadeiro nome é Emiliano Cavalcanti, mas sempre se assinou Di Cavalcanti, e às vezes Emiliano Di Cavalcanti. (…) Teve atuação saliente no movimento modernista; foi mesmo dêle que partiu a idéia da ‘Semana de Arte Moderna’, realizada em São Paulo em fevereiro de 1922. (…) Se Di Cavalcanti não fôsse por vocação pintor, poderia ...
[Continue lendo]O pintor, gravador, escultor e desenhista Lasar Segall nasceu em 1891 na Lituânia. Veio para o Brasil e expôs suas obras em São Paulo pela primeira vez em 1912, exposição extremamente representativa da vanguarda européia e das manifestações modernistas nascentes no Brasil. Mas Segall fixa residência em SP apenas em 1923, para não mais deixar o país. As obras até então de tons sóbrios da I Guerra, assumem agora a luz e as cores dos trópicos. Naturalizou-se brasileiro em 1927 e faleceu em 1957 (São Paulo). “Eis que Lasar Segall vem ao Brasil. Já estivera uma vez em nossa terra, por ...
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