“À diferença de muitos modernistas, Segall não considerava a construção de uma arte nacional brasileira, composta de elementos locais, o objetivo último de um artista brasileiro (assim como nunca lutara por uma ate judaica). Ele acreditava, sim, que os elementos característicos do ‘povo brasileiro’ deveriam interagir com todas as outras manifestações artísticas (alemães, russas, judaicas, etc) com o fim de alcançar a ‘verdadeira arte’ que é sempre humana, universal. Segundo tal perspectiva, sua contribuição para a ‘arte brasileira’ era vista como valiosa. Ao representar-se como negro em seu quadro ‘Encontro’, Segall não estava trocando sua identidade judaico-russo-alemã por uma brasileira, ...
[Continue lendo]“Segall foi acima de tudo pintor; sua sabedoria gráfica porém era muito grande, como acontecia, aliás, com toda a formação artística conduzida pelas academias alemãs. Daí a excelência de sua litografia, de sua água-forte, de sua xilogragura, e o domínio pleno, ao mesmo tempo, da pintura à óleo e a água. ... Os quatro álbuns produzidos e o Mangue ... são as provas maiores dessa gráfica, mas fora das séries, ou em séries não coordenadas em sequência para divulgação, o artista deixou, porventura, mais do naqueles singulares aspectos da gravura expressionista. A adequação do gráfico entretanto emparelha-se à do artista ...
[Continue lendo]“Pinto desde criança, há tantos anos que não saberia o porquê. Contudo creio que pintar é uma linguagem, um meio de comunicação, tão velho quanto o mundo.” (Vicente do Rêgo Monteiro) Vicente do Rêgo Monteiro foi pintor, poeta, editor, automobilista, tipógrafo, artista gráfico, professor, fabricante de aguardente e dançarino. João Cabral de Melo Neto, que estreou publicando poemas na revista Renovação, editada por Monteiro, dedicou em 1943 um poema ao seu amigo mais velho que revela bem a multiplicidade de talentos de Vicente: “Eu vi teus bichos Mansos e domésticos Um motociclo, Gato e cachorro. Estudei contigo Um planador Volante ...
[Continue lendo]“Todo o essencial da energia criadora de Vicente do Rêgo Monteiro encarna-se na atitude muralística que assume em Paris sua figuração despojada, regida pela articulação geométrica metódica em que a expressão cede à finalidade fundamental da construção. Impulsionada pela necessidade do rigor estrutural da forma, alejando à escala monumental, cujas leis descobrira nas vastidões figurais egípcias, sua obra é um amálgama de contatos ambientais de trabalho e de agudos estudos museais, absorvendo imanências da época e de universalidade intemporal. Em depoimentos esparsos, Vicente mencionou vários artistas do presente e de outrora que nele incidiram não havendo discrepâncias nas enumerações que ...
[Continue lendo]“A semana marca uma data, isso é inegável. É uma data que envaidece recordar. Mas o certo é que a preconciência primeiro, e em seguida a convicção de uma arte nova, de um espírito novo, desde pelo menos seis anos viera se definindo no…sentimento de um grupinho de intelectuais, aqui. Do primeiro, foi um fenômeno estritamente sentimental, uma intuição divinatória, um…estado de poesia. Com efeito: educados na plástica ‘histórica’, sabendo quando muito da existência dos primeiros impressionistas, ignorando Cézanne, o que nos levou a aderir incondicionalmente à exposição de Anita Malfatti, em plena guerra européia, mostrando quadros expressionistas e cubistas? ...
[Continue lendo]“Victor Brecheret desenvolveu uma vasta produção artística, cerca de 300 peças escultóricas, que se estendeu por quase quatro décadas, inserida no contexto da Escola de Paris, nos anos 20 e 30, e depois de 1936 até 1955 em nosso ambiente cultural. Coube a Brecheret, no momento decisivo da primeira vaga do modernismo brasileiro, o papel histórico de inovador e introdutor do caráter contemporâneo da escultura em nosso meio. Entretanto, essa contemporaneidade já se encontrava defasada ante os sucessos das vanguardas européias, pois sua obra apresentava características vinculadas ao ‘art noveau’ -Secessão Vienense- presentes também na obra do mestre iugoslavo Ivan ...
[Continue lendo]“Moço continuarei até a morte porque, além dos bens que obtenho com minha imaginação, nada mais ambiciono.”” – A mulata, para mim, é um símbolo do Brasil.Ela não é preta nem branca.Nem rica nem pobre.Gosta de música, gosta do futebol, como nosso povo.”“No carnaval eu sempre senti em mim a presença de um demônio incubo que se desvendava como um monstro, feliz por suas travessuras inenarráveis. É uma das formas de meu carioquismo irremediável e eu me sinto demasiadamente povo nesses dias de desafogo dos sentimentos mais terrivelmente terrenos de meu ser…”“A exposição de Anita Malfatti em 1917 foi a ...
[Continue lendo]“Ao contrário do que fazia Tarsila, que destacava as formas e construía o espaço pela organização entre elas, Di Cavalcanti busca um outro caminho. A geometrização das formas por ele exercida não será suficiente para eliminar a divisão figura e fundo, levando-o a recorrer também à cor. De início, quase pela sua ausência, ou seja, buscando a integração pela monocromia. Posteriormente, a solução será o oposto, uma vez que procurará pela utilização crescente de uma intensa cromatização o efeito de unidade. Na tela ‘Samba’, de 1925, percebe-se uma transição entre essas duas soluções. É curioso notar que as duas figuras centrais ...
[Continue lendo]“Paris de 1923! As recordações fervilham, amontoam-se, atropelam-se…Meu ateliê da Rua Hégésippe Moreau, que Paulo Prado descobrira ter sido habitado por Cézane, foi frequentado por importantes personagens. Aos almoços tipicamente brasileiros, às vezes compareciam Cocteau, Erik Satie, Valéry Larbaud, Jules Romains, Giradoux, Brancusi, Amboise Vollard. Entre os brasileiros, Villa-Lobos, Paulo Prado, dona Olívia Guedes Penteado, Souza Lima, Oswald de Andrade, Sérgio Milliet, Di Cavalcanti…” Tarsila do Amaral, Recordações de Paris Poema Atelier [de Oswald de Andrade para Tarsila do Amaral, publicado na Revista 'Pau Brasil' (1925)] Caipirinha vestida por PoiretA preguiça paulista ...
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