“Há palavras que fazem bater mais depressa o coração – todas as palavras– umas mais do que outras, qualquer mais do que todas. Conforme os lugares e as posições das palavras. Segundo o lado donde se ouvem – do lado do Sol ou do lado onde não há o Sol. Cada palavra é um pedaço do universo. Um pedaço que faz falta ao universo. Todas as palavras juntas formam o Universo. As palavras querem estar nos seus lugares!” José de Almada Negreiros. “A Invenção do Dia Claro”. In: NEGREIROS, José de Almada. Manifestos e conferências. Lisboa: Assírio e Alvim, 2006, ...
[Continue lendo]Mário de Andrade imputou à fotografia colorida uma “ridícula fraqueza”. Quem sabe não porque acreditasse que a cor pertence à pintura e que as fotografias constatam mais do que explicam as aparências. Poeta de impulsos infuriados, considerava o belo artístico, arbitrário, tão mais artístico quanto mais afastado do belo natural, imutável. Confiava nos exageros legítimos e conscientes como símbolos capazes de irmanar a vida e o sonho. Henri Matisse ensinou que entre matizes “há tanta diferença quanto o sol e a sombra”. Em suas pinturas modulou cores, relacionando-as e valorizando suas diferenças para que exprimissem a luz e traduzissem as ...
[Continue lendo]“... Não há umaCoisa que saiba que sua forma é rara.” “De que nada se sabe”. In: BORGES, Jorge Luis. Poesia. Tradução Josely Vianna Baptista. São Paulo: Companhia das Letras, 2009, p. 183. Saint Clair Cemin nasceu em Cruz Alta, Rio Grande do Sul, em 1951 e vive e trabalha em Paris, Nova Iorque e Pequim. Outras obras de sua autoria podem ser conhecidas em seu site > www.saintclaircemin.com Fernanda Carvalho
[Continue lendo]O calendário do afeto de Alberto da Veiga Guignard por Amalita Fontenelle ficou registrado nos cartões por ele galantemente endereçados a ela entre 1932 e 1937. Estas singelas obras de arte carregam a memória de uma devoção comovente. A correspondência parece não ter sido entregue e ficou conservada junto com outros cartões avulsos no álbum que Guignard elaborou e que ficou guardado com Oswald de Andrade e sua família até 1987. Algumas vezes o artista endereçou as peças para as irmãs de Amalita, Lola e Anita. Guignard tinha por hábito distribuir cartas e bilhetes para suas alunas e oferecia cartões ...
[Continue lendo]A poética de Alberto da Veiga Guignard (1896-1962), o maior pintor modernista brasileiro, professor de desenho, ilustrador e gravador está monumentalmente expressa em sua vasta produção, mas em especial nas suas paisagens intemporais. Frequentador das montanhas cariocas e mineiras pode apreciar de seus altos – os ângulos de visão dilatados – o despojamento daqueles planos estendidos livre do açodamento urbano. E pela ordenação artística e para além das obrigações formais, transfigurou o que avistara compondo territórios plenos ainda que um tanto evanescentes. Diante das superfícies rasas de Guignard, perpassadas pela luz misturada à névoa e elementos instáveis em cores translúcidas ...
[Continue lendo]“Mais íntegra, mais justa, embora obscura… Sei que a fome de rota te tortura.” Mário Faustino FAUSTINO, Mário. O homem e sua hora e outros poemas. Mário Faustino; pesquisa e organização de Maria Eugênia Boaventura. São Paulo: Companhia das Letras, 2009, p. 170.
[Continue lendo]William Blake (1757-1827) foi um visionário. Poeta, pintor, gravador, impressor e colorista, viveu em Londres na transição do século XVIII ao século XIX e trabalhou para mudar tanto a ordem social quanto espiritual de sua época. Dotado de uma mente inquieta registrou, através de sua sensibilidade romântica e suas habilidades artísticas, inúmeras invocações líricas do sublime ou daquilo que é subjetivamente sentido pelo pensamento. Apesar das posições políticas radicais de Blake acerca das guerras, das tiranias, suas críticas satirizantes às autoridades opressivas da igreja e do estado, um de seus biógrafos afirmou que o poeta escreveu não para todos os ...
[Continue lendo]“Há os imbecis que definem meu trabalho como abstrato; no entanto, o que eles chamam de abstrato é o que é mais realista. O que é real não é a aparência, mas a idéia, a essência das coisas.” “Não procure por fórmulas obscuras ou mistério em meu trabalho. É pura alegria que eu vos ofereço. Olhe as minhas esculturas até enxergá-las. Aqueles mais perto de Deus têm-nas enxergado.” Constantin Brâncuşi (Hobitza, Romênia, 19 de fevereiro de 1876 — Paris, 16 de março de 1957), escultor romeno. Brancusi e “a preocupação de um escultor com o começo do mundo e com ...
[Continue lendo]“Sertão é isto, o senhor sabe: tudo incerto, tudo certo.”(Guimarães Rosa) Citação: ROSA, João Guimarães. Grande Sertão: Veredas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006, p.156. Imagens: (1) João Castilho, Redemunho, 12 de 24, 2006, fotografia C Print, 100,0 ×150,0 cm.(2) João Castilho, Redemunho, 09 de 24, 2006, fotografia C Print, 100,0 ×150,0 cm. (3) João Castilho, Redemunho, 13 de 24, 2006, fotografia C Print, 100,0 ×150,0 cm. Nossos agradecimentos ao artista mineiro João Castilho que gentilmente nos cedeu o direito de publicarmos aqui algumas de suas obras. Conheça mais de seu belíssimo trabalho em www.joaocastilho.net
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