Cecília Meireles > Amém

Oswaldo Goeldi, (sonhadora) sem título, circa 1930, prova de impressão 14,3 x 14,3 cm.
Hoje acabou-se-me a palavra,
e nenhuma lágrima vem.
Ai, se a vida se me acabara
também!
A profusão do mundo, imensa,
tem tudo, tudo _ e nada tem.
Onde repousar a cabeça?
No além?
Fala-se com os homens, com os santos
consigo, com Deus… E ninguém
entende o que se está contando
e a quem…
Mas terra e sol, luas e estrelas
giram de tal maneira bem
que a alma desanima de queixas.
Amém.
MEIRELES, Cecília. Viagem & Vaga Música. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006. p.181-18.



>Ah!Cecília Meireles,Belíssima. "Minha infância de menina sozinha deu-me duas coisas que parecem negativas, e foram sempre positivas para mim: silêncio e solidão.Essa foi sempre a área da minha vida. Área mágica, onde os caleidoscópios inventaram fabulosos mundos geométricos, onde os relógios revelaram o segredo do se mecanismo, e as bonecas o jogo do seu olhar" Cecília MeirelesIntrodução Geral- Poesia do Sensível – Obra Poética de C.M.- Companhia José Aguilar Editora 1986.
>Cecília é uma linda!Beijo, Sueli.
>Nunca me interessei tanto por Cecília. Não a considerava muito boa. O tempo passou e hoje a considero uma bela poeta. Sua singeleza me comove. E entendo que naquela época eu ainda não "a captava" muito bem, por assim dizer. É uma bela poeta sim.