Cecília Meireles > Cânticos

Giovanni Segantini, Le Cattive Madri (detalhe), 1894, óleo sobre tela, 105 × 200 cm.
II
Não sejas o de hoje.
Não suspires por ontens…
Não queiras ser o de amanhã.
Faze-te sem limites no tempo.
Vê a tua vida em todas as origens.
Em todas as existências.
Em todas as mortes.
E sabe que serás assim para sempre.
Não queiras marcar a tua passagem.
Ela prossegue:
É a passagem que se continua.
É a tua eternidade…
É a eternidade.
És tu.
MEIRELES, Cecília. Cânticos. In: MEIRELES, Cecília. Poesia Completa. Vol. I. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001. p.121-2.



>[esta cativa poesia, que me tem cativo...]um imenso abraço, DanaLeonardo B.
>Abraço amigo, Leonardo.
>À quem Cecília não cativou? Essa poesia é o Cântico supremo!Belíssimo!BeijosMirze
>É mesmo belíssima, Mirza.Abraço!
>E a árvore suspensa, não sobre a neve, mas sobre uma imensa nuvem que representa o indeterminado lugar da vida, que se apresenta no presente, como a eternidade de realmente sempre ser. E a vida é uma cena preenchida, um quadro de pintura que uma mão, a mão de quem a vive, preenche, sem limites, de hoje, de ontem, de um amanhã indefinido, e que se apresenta como aquilo que é, um traço de nuvem sobre o mundo, o real, o vivido.Daniela, é um magnífico poema de Cecília.Abraço
>Bela leitura da imagem de Segantini, José.Este poema de Cecília transcende o lógos e aporta no ser. É realmente magnífico.Abraço.
>lindo poema!