Drummond > Soneto da Loucura

Odilon Redon, Madness, 1883, charcoal, Musée du Louvre, Paris, France.

A minha casa pobre é rica de quimera
e se vou sem destino a trovejar espantos,
meu nome há de romper as mais nevoentas eras
tal qual Pentapolim, o rei dos Garamantas.
Rola em minha cabeça o tropel de batalhas
jamais vistas no chão ou no mar ou no inferno.
Se da escura cozinha escapa o cheiro de alho,
o que nele recolho é o olor da glória eterna.
Donzelas a salvar, há milhares na Terra
e eu parto em meu rocim, corisco, espada, grito,
o torto endireitando, herói de seda e ferro,
e não durmo, abrasado, e janto apenas nuvens,
na férvida obsessão de que enfim a bendita
Idade de Ouro e Sol baixe lá nas alturas.

DRUMMOND DE ANDRADE, Carlos. 100 poemas. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2002. p.358.



2 Comentários

  1. Ruth escreveu:

    >Así es la casa, así el alma de cuantas almas atormentadas vivimos errantes en busca de significado. Bendita locura que nos acerca más a lo que somos que a lo que creemos ser.Besos Daniella.

  2. isabelly escreveu:

    eu eu achei o poema muito legal ! eu gostei muito ,achei muito interessante ,que é para um trabalho meu de sala de leittura e a professora gostou muito o Drummond ta de parabens !

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