Elizabeth Bishop > Arte de perder
A arte de perder não é nenhum mistério;
tantas coisas contêm em si o acidente
de perdê-las, que perder não é nada sério.
Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,
a chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Depois perca mais rápido, com mais critério:
lugares, nomes, a escala subseqüente
da viagem não feita. Nada disso é sério.
Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero
lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Perdi duas cidades lindas. E um império
que era meu, dois rios, e mais um continente.
tenho saudade deles. Mas não é nada sério.
— Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo
que eu amo) não muda nada. Pois é evidente
que a arte de perder não chega a ser mistério
por muito que pareça (Escreve!) muito sério.
BISHOP, Elizabeth. O iceberg imaginário e outros poemas. Tradução de Paulo Henriques Britto. São Paulo: Companhia das Letras, 2001. p. 309.




>Nossa, que belo poema!Perder não é nada fácil, não fomos ensinados a perder, fomos educados para ganhar sempre.Mas com certeza precisamos aprender a lidar com as perdas com as pequenas e também com as grandes…Uma ótima semana!Beijosss
>e ás vezes perdemos amizades para continuarmos inteiros… a árvore não dee lamentar as folhas que caem nem os frutos que se vão. aprender esse processo que tb é vida, nem sempre é fácil
>Que delicadeza de imagem…e a leitura,então, aprendizado puro. Ousemos!!!obrigada,Danabjus
>significado profundo. a vida é uma perda para entender …agradecimentos para o belo poemaum abraçosignificato profondo. la vita è un perdere per comprendere…grazie per la bella poesiaun abbraccio