Filosofia do Imaginário > Bachelard (1884 – 1962)

“Um filósofo que formou todo o seu pensamento atendo-se aos temas fundamentais da filosofia das ciências, que seguiu o mais exatamente possível a linha do racionalismo ativo, a linha do racionalismo crescente da ciência contemporânea, deve esquecer o seu saber, romper com todos os hábitos de pesquisas filosóficas, se quiser estudar os problemas propostos pela imaginação poética. Aqui o passado cultural não conta; o longo trabalho de relacionar e construir pensamentos, trabalho de semanas e meses é ineficaz. É necessário estar presente, presente à imagem no minuto da imagem: se há uma filosofia da poesia, ela deve nascer e renascer por ocasião de um verso dominante, na adesão total a uma imagem isolada, muito precisamente no próprio êxtase da novidade da imagem. (…) A reflexão filosófica que se exerce sobre um pensamento científico longamente trabalhado deve fazer com que a nova idéia se integre em um corpo de idéias já aceitas, ainda que a nova idéia obrigue esse corpo de idéias a um remanejamento profundo, como sucede em todas as revoluções da ciência contemporânea. A filosofia da poesia, ao contrário, deve reconhecer que o ato poético não tem passado (…) Não é o eco de um passado. É antes o inverso: com a explosão de uma imagem, o passado longínquo ressoa de ecos e já não vemos em que profundezas esses ecos vão repercutir e morrer. Em sua novidade, em sua atividade, a imagem poética tem um ser próprio, um dinamismo próprio. Procede de uma ontologia direta. É com essa ontologia que desejamos trabalhar.” (grifos nossos)

BACHELARD, Gaston. A poética do espaço. Tradução de Antônio de Pádua Danese. São Paulo: Martins Fontes, 1998. p.1,2.

O filósofo, epistemológo, cientista e poeta Gaston Bachelard nasceu em 27 de junho de 1884, em Bar-sur-Aube, França e faleceu em 16 de outubro de 1962, em Paris, França. Bachelard divide sua extensa obra em duas categorias: obra diurna e obra noturna. “Demasiadamente tarde, conheci a boa consciência, no trabalho alternado das imagens e dos conceitos, duas boas consciências, que seria a do pleno dia e a que aceita o lado noturno da alma“, relata ele em sua obra Poética do Espaço. Assim, os estudiosos do pensamento de Bachelard passaram a denominar diurna sua obra relativa à epistemologia e história das ciências e noturna as obras relativas ao estudo da imaginação poética, dos devaneios e dos sonhos. Dentre as obras diurnas destacam-se O novo espírito científico (1934); A formação do espírito científico (1938); A filosofia do não (1940); O racionalismo aplicado (1949) e O Materialismo Racional (1952). Dentre as obras noturnas, que são as que nos interessam, destacam-se A psicanálise do fogo (1938); A água e os Sonhos (1942); O ar e os sonhos (1943); A terra e os devaneios da vontade (1948); A poética do espaço (1957) e A poética do devaneio (1960).

Saiba mais sobre Bachelard:

Artigos em língua portuguesa:
ALMEIDA, Fábio Ferreira. Bachelard e a Filosofia. Trans/Form/Ação. vol.26, no 2, Marília, 2003.
CEMIN, Arneide Bandeira. Bachelard – Imaginário e Modernidade: Ciência e Imaginação. ANo I, no 3, out-dez 2001.
FREITAS, Edinaldo Bezerra. Entre a Poesia das Imagens e o Imaginário da Criação: A Ronda Noturna de Bachelard. LABIRINTO. Revista Eletrônica do Centro de Estudos do Imaginário. Ano I, no 2, julho-set 2001.
PERRONE, Maria Paula M. S. Bueno. A imaginação criadora: Jung e Bachelard.



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