Foto-grafando Frida
poema inédito de Adriana Versiani.

Diego amava Frida que amava suas joias.
Mas o que significava a palavra “joias” para Frida?
O que Diego entendia daquilo que era o amor de Frida?
Um dia, visitaram juntos o santuário das mariposas monarcas no estado
de Michoacán.
Ali elas vivem.

Na janela do meu quarto, durante a noite em que o céu pareceu perder-se para sempre, com os dedos desenhei uma porta. Através dela toquei os cabelos castanhos da menina que andava comigo, quando ainda imaginava aeroplanos no céu de Coyoacán. Eu contei a ela os meus segredos e dançamos e escutamos nossos sons. Uma ideia nos levou até o pátio onde nos deitamos sob a sombra de uma árvore imensa.
durante todo dia sinto sono cansaço e desespero
Diego…Meu pai
eu vivo no ar
Diego…Meu filho
o espelho guarda minha dor
No meu coração…Diego
Na minha loucura…Diego
Nas minhas vértebras…Diego
Ele nas tramas do papel
Ele no risco do grafite
Ele na gênese do metal

Frida dorme sobre a tábua do andaime.
Ela sonha e Diego não adivinha:
os pecados dos seus vizinhos, a caixa enterrada no quintal, a rosa mística de Frida.
Um líquido quente corre em Diego que teme:
os pecados dos seus vizinhos, a caixa enterrada no quintal,
o dia em que Frida dormirá para sempre sobre a tábua do andaime.
Tormento, porque chamo por meu Diego?
Ele nunca esteve, Ele jamais estará.
Calor escaldante na Cidade do México.
Frida, as pálpebras pintadas de roxo, fechou-se em luto.

***
(2) (3) Julien Levy, Frida Kahlo, 1938, fotografia, New York.



>Sem palavras… Belíssima foto-grafia de Frida. E este vídeo, que achado. Abçs.
>Nunca tinha lido nada igual, em se tratando de Frida!Aqui, vi o Amor, o diálogo, e o vídeo que retrata a VIDA!Belíssimo!Parabéns, Adriana Versiane!Mirze
>Realmente o poema é belíssimo, mas sem as ilustrações perderia muito da força. Parabéns a Adriana e a Dana também.