História e propósito

Em junho de 2009 nasceu o blog imaginário poético, tendo como abre-alas a coluna Poetas em Cena, fruto de minha paixão por imagens poéticas. Paulatinamente outras paixões, pela filosofia e pelas artes plásticas, ocuparam seus lugares no blog dando origem às colunas Flechas de Laocoon e Tupi or not tupi. À medida que se expandia, o imaginário me dava a oportunidade de conhecer poetas que publicam seus poemas na web e, admiradora de seus escritos, criei nova coluna para divulgá-los: a coluna Poetas na rede. Em seis meses e com estas quatro colunas o imaginário ganhou domínio próprio, o subtítulo de Revista Eletrônica e uma feliz parceria com alguns escritores. Alguns destes ficaram conosco por pouco tempo, mas ainda assim contribuíram muito. Outros permanecem conosco desde então e se tornaram imprescindíveis, como a Sueli Aduan, professora de literatura que assina a coluna Ofício de Escrever; João Paulo Galhano, historiador responsável pela coluna Imagens da História e a Adriana Versiani, poeta responsável pela coluna do coletivo de poesia DEZFACES. Com um ano de existência, o imaginário passou a contar também com a colaboração da pesquisadora iconográfica Fernanda Carvalho, que assina a coluna VIDELICET; do poeta Álisson da Hora, que assumiu a coluna Poetas na Rede, e da classicista Tatiana Faia, que assina a coluna Notas Dispersas. Agora, com dois anos de existência, recebemos também Isabella Kantek, que assina a coluna Ser-tão randômico, e Diana Ribeiro, que assume a coluna Correspondências.

No entanto, se hoje a revista é escrita por muitas mentes, corações e mãos, o tema do imaginário foi e continua sendo um só: o leitor. Literatura, filosofia, arte são apenas linguagens. E medo, coragem, dor, luta, paixão, ódio, amor, ciúme, sanidade e insanidade não existem enquanto tal, mas apenas em relação a um sujeito que os vivencia. O propósito do imaginário foi, é e sempre será único: instigar o leitor a se apropriar da literatura, da filosofia e da arte para se conhecer, educar a própria sensibilidade e assim viver melhor. Acredito que não é o homem que escreve o livro, mas o livro que escreve o homem, e que uma obra, escrita ou plástica, não nos importa em sua materialidade e objetividade, importa-nos sim como nos apropriamos deste material, como reagimos a ele e como ele nos transforma. É mais do que uma ressonância da obra sobre nós, trata-se da repercussão de que fala Bachelard, o filósofo por excelência do imaginário poético: “A repercussão convida-nos a um aprofundamento da nossa própria existência. Na ressonância ouvimos o poema; na repercussão o falamos, ele é nosso. A repercussão opera uma inversão do ser. Parece que o ser do poeta é o nosso ser.“ Nesta perspectiva, o assunto sou sempre eu, é sempre você. “Não tema, conheça seu próprio imaginário, desvende-se”, poderia servir como lema da revista. Fundamento antigo que remonta à inscrição em Delfos: “conhece-te a ti mesmo”, traduzido do grego gnothi sauton, tão repetido por Sócrates, mas jamais esgotado. Esse é o princípio da sabedoria e o grande tema da existência, portanto também do imaginário, todos os demais temas são periféricos.

Enfim, a revista imaginário poético é um convite, um convite à reflexão, ao autoconhecimento, ao despertar da sensibilidade.
Aceite nosso convite e sinta-se sempre muito bem-vindo!
dana paulinelli