1941, Virgínia Woolf a Leonard Woolf: “Meu Muito Querido:Tenho a certeza de que estou novamente a enlouquecer: sinto que não posso suportar outro desses terríveis períodos. E desta vez não me restabelecerei. Estou a começar a ouvir vozes e não me consigo concentrar. Por isso vou fazer o que me parece ser o melhor.Deste-me a maior felicidade possível. Foste em todos os sentidos tudo o que qualquer pessoa podia ser. Não creio que duas pessoas pudessem ter sido mais felizes até surgir esta terrível doença. Não consigo lutar mais contra ela, sei que estou a destruir a tua vida, que ...
[Continue lendo]Absorto, centrado no nó das trigonometrias, meditando múltiplos quadriláteros, centrado ele mesmo no quadrado do quarto, as superfícies e cal, os triângulos de acrílico, suspenso no espaço por uns fios finos os polígonos, Isaiah o matemático, sobrolho peluginoso, inquietou-se quando descobriu o porco. Escuro, mole, seu liso, nas coxas diminutos enrugados, existindo aos roncos, e em curtas corridas gordas, desajeitadas, o ser do porco estava ali. E porque o porco efetivamente estava ali, pensá-lo parecia lógico a Isaiah, e começou pensando spinosismos: “de coisas que nada tenham em comum entre si, uma não pode ser causa da outra.” Mas aos ...
[Continue lendo]Há um instante, quase inicial, em O Jardim dos Finzi-Contini em que o narrador pergunta «quem poderá dizer como e por que nasce uma vocação para a solidão?» Estas palavras são ditas a propósito da família dos Finzi-Contini, poderosa família judaica de Ferrara, que, mesmo antes da promulgação das leis raciais na Itália de Mussolini, já se isolara de tudo e de todos. A relação que quero estabelecer é bastante simples e relaciona-se com outra novela deste autor, Os Óculos de Ouro. De ambos os textos pode-se dizer que são Bildungsroman, mas esta será apenas uma definição superficial que serve ao propósito de dar a uma ...
[Continue lendo]ÉDIPO: Hoje tornou-se claro que eu não poderia nascer de quem nasci, nem viver com quem vivo e, mais ainda, assassinei quem não devia! CORO: Vossa existência, frágeis mortais, é aos meus olhos menos que nada. Felicidade só conheceis imaginada; vossa ilusão logo é seguida pela desdita. Com teu destino por paradigma, desventurado, mísero Édipo, julgo impossível que nesta vida qualquer dos homens seja feliz! ... E existe hoje qualquer mortal cuja desdita seja maior? Quem foi ferido por um flagelo e um sofrimento mais violentos? Quem teve a vida tão transtornada? Édipo ilustre, muito querido! ... CORIFEU: Ah! Sofrimento ...
[Continue lendo]Abaixo um trecho do estonteante espetáculo de dança contemporânea Analogia Inusual, da coreógrafa alemã Sasha Waltz. Para saber mais sobre Sasha e assistir a outros vídeos de seus espetáculos clique aqui e leia uma matéria na bela revista argentina Revista de ArteS. Se você está recebendo este post via e-mail e não consegue visualizar o vídeo acima, clique aqui para assistí-lo em nosso site.
[Continue lendo]Meus caros,o imaginário está em plena atividade e estamos todos ansiosos por compartilhar textos e imagens que suscitem um novo olhar para a arte, para a literatura e, principalmente, para a vida. Optamos, no entanto, por encerrar nossas atividades no Twitter e no Facebook. Agradecemos sinceramente a atenção e a generosidade de todos que nos seguiram nas redes sociais e aguardamos suas visitas em nosso site. Quem quiser seguir o imaginário de pertinho, sem perder um único post, pode ainda assinar nosso feed ou se inscrever para receber nossos posts em sua caixa de e-mails. Abraço a todos,dana paulinelli
[Continue lendo]“Há palavras que fazem bater mais depressa o coração – todas as palavras– umas mais do que outras, qualquer mais do que todas. Conforme os lugares e as posições das palavras. Segundo o lado donde se ouvem – do lado do Sol ou do lado onde não há o Sol. Cada palavra é um pedaço do universo. Um pedaço que faz falta ao universo. Todas as palavras juntas formam o Universo. As palavras querem estar nos seus lugares!” José de Almada Negreiros. “A Invenção do Dia Claro”. In: NEGREIROS, José de Almada. Manifestos e conferências. Lisboa: Assírio e Alvim, 2006, ...
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