KRISHNAMURTI: Senhor, porque pressupomos tantas coisas? Não podemos começar a viagem ao nosso interior sem sabermos o que é bom ou mau, o que é certo, o que é errado, o que deveria ser, o que deve ser – sem sabermos nada; viajarmos sem levarmos nenhuma carga? Esta é uma das coisas mais difíceis: viajarmos por dentro de nós mesmos sem levarmos nenhuma espécie de carga. Durante a viagem ir-se-ão fazendo os descobrimentos. Não a iniciemos dizendo “Isto não deve ser assim”, “Isto deveria ser”. Pelo visto isso é dificílimo; não sei porquê. Senhores, não há ninguém que possa ajudar-vos, ...
[Continue lendo]“Segundo João Cabral, ‘A pessoa torna-se mais lúcida, mas criativa, mas capaz, se tem uma obsessão‘. A partir desta afirmativa, Félix de Athayde, jornalista e amigo de João Cabral, reuniu entrevistas do poeta, publicadas ao longo de cinqüenta anos, e delas extraiu as obsessões do escritor. Suas idéias fixas foram aqui distribuídas por verbetes, como num dicionário.” “Este é um livro de amizade e serventia ao mesmo tempo. Da amizade que me une a João Cabral — que conheci em 1953, no Recife —, da serventia que suas idéias fixas possam ter para quem escreve. Da minha convivência com João Cabral, ouvindo-o com atenção nas ...
[Continue lendo]O mundo inteiro como poesia,por Álisson da Hora A poesia, como expressão humana, reside na possibilidade que há em abstrair as coisas mais simples e colocá-las às nossas percepções como algo extraordinário. Extraordinário que se ressignifica, na própria complexidade que brota dessas coisas simples, do quanto as formas e as palavras – essência, conteúdo, imagem – chegam ao cume do mais agudo. Agudeza pensada, raciocinada, que foge dos simplismos e das obviedades. Assim, pesadelos e noites, e até o ouvir as freadas nervosas dos carros nas ruas, o crepitar do fogo na vida, gritos e dias estagnados nas frestas do mundo, tudo vem até nós ...
[Continue lendo]Poder rir, rir, rir despejadamente, Rir como um copo entornado, Absolutamente doido só por sentir, Absolutamente roto por me roçar contra as coisas,Ferido na boca por morder coisas, Com as unhas em sangue por me agarrar a coisas, E depois dêem-me a cela que quiserem que eu me lembrarei da vida. PESSOA, Fernando. Poesia completa de Álvaro de Campos. São Paulo: Cia das Letras, 2007. p.177.
[Continue lendo]O objecto conhecido por “paleta de Narmer”, dedicada ao templo do deus Hórus pelo rei Narmer, que reinou c. 3150 a.C., continua a suscitar significativas dificuldades de interpretação. A peça tem uma qualidade estética notável para uma obra de arte produzida há mais de cinco mil anos. A faixa superior do verso representa o rei Narmer em procissão, saindo do palácio singelamente representado por um rectângulo; diante da procissão estão dez corpos decepados, cada um deles com a cabeça entre as respectivas pernas; na leitura de alguns, as cabeças estão encimadas pelos pénis dos cadáveres, excepto uma delas; uma barca ...
[Continue lendo]Nenhum pecado desertou de mim. Ainda assim eu devo estar nimbada, porque um amor me expande. Como quando na infância eu contava até cinco para enxotar fantasmas, beijo por cinco vezes minha mão. Este é meu corpo, corpo que me foi dado para Deus saciar sua natureza onívora. Tomai e comei sem medo,na fímbria do amor mais tosco meu pobre corpo é feito corpo de Deus. PRADO, Adélia. A duração do dia. Rio de Janeiro, São Paulo: Record, 2010. p.28.
[Continue lendo]É preciso fé para cortar as unhas, cuidar dos dentes como bens de empréstimo. O cobrador invisível bate à porta. Não durmo, ele também não. Deve ser amor o que nos deixa unidos neste avesso de mística. Por orgulho de pobre dou por bastante a pouca claridade e prefiro a vigília antes que ter repouso. PRADO, Adélia. A duração do dia. Rio de Janeiro, São Paulo: Record, 2010. p.61.
[Continue lendo]A revista AHH! ARTE É PÚBLICA publicou um artigo delicioso sobre nosso imaginário. Sinto-me honradíssima com esta apresentação tão generosa do imaginário! Meu agradecimento a todos os integrantes da AHH!, revista belíssima que certamente será grande fonte de inspiração para mim e para todos os colaboradores do imaginário. E meu agradecimento especial à Priscila Passareli, que tão gentilmente entrou em contato comigo e, por meio de uma escuta atenta, descreveu o imaginário com tanta leveza e beleza! Clique aqui para ler o artigo e conhecer esta revista belíssima! Abraço a todos,dana paulinelli
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